sábado, março 31, 2007

Poesias sem nome...

Bom, podem ter certeza que esse post é mais surpreendente para mim mesmo que para vocês. Parece que depois de um bloqueio psicológico de mais de um ano e meio, finalmente consegui voltar a escrever poemas... Ficaram razoáveis, por isso eu posto aqui. Fiz essa semana passada de noite. Semana de pressão psicológica e tensão intensa :/. Êta diazinho de merda hoje. Se alguém tiver alguma idéia pra por de título, eu aceito, como sempre.
Poesia Sem Nome I
O mármore mais incerto,
De duvidoso gênio forte
Ergue-se em tão belo porte
Que nada poderia ser mais certo.

E a noite, surge, como remédio
o seu lábio rubro, que arde
Acalentando como a tarde
O gelo raso do meu tédio

Esconde a imagem, tão desejosa,
E sorrindo tenta enganar,
que o poeta mente com pesar
sobre a verdade mais dolorosa:

Antes fosses como deserto,
Que de secura leva a morte
Assim somente ele teria a sorte
De observá-la mais de perto.
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Poesia Sem Nome II

Algo vago e sem brilho,
Muito mais como um sentimento
Como uma idéia que perdura.

Algo vago, porém preciso,
Muito mais como linha de um poema
Como uma mentira acolhedora.

Algo vago, frio e vazio,
Muito mais como um pesadelo noturno
Como um sonho sem censura.

Algo vago e que não se vê,
Muito mais como amantes sem romance
Como eu e como você
.

terça-feira, março 27, 2007

Sturm und Drang, ou entendendo um pouco sobre como eu penso.

Cá estou hoje, postando da forma como me é mais característica depois de uma desvirtuação básica. Achei-me na necessidade de explicar um pouco da formação dos meus conceitos. Na verdade, a conotação que meus textos recebem desde os primórdios, como tristes, depressivos ou pessimistas possuem uma base de verdade que de alguma forma me incomoda. Incomoda por não entenderem o porque. O fato deles assim serem não tem a ver com o meu estado de espírito, tem a ver com a formação meu pensamento, é mais ou menos isso que o texto de hoje fala. É uma tentativa rala de justificar o porque eu escrevo desse jeito, e ainda assim sou tão bobo alegre.

Quem me conhece sabe que eu baseio minhas abordagens “intelectualóides” do mundo basicamente em cinco filósofos: Baruch de Spinoza, responsável pelos meus momentos materialistas; André Comte-Sponville, responsável pelos meus momentos mais positivistas e humanistas; e três homens que são responsáveis por boa parte do pensamento contemporâneo, que por acaso, também são os três filósofos mais pessimistas da história, a chamada tríade do mal da filosofia: Soren Kierkegaard, o pai do Existencialismo e o dono da frase “subjetividade é a verdade, e a verdade é subjetiva”; Arthur Schopenhauer, que é conhecido por sua filosofia de que a vontade humana (o desejo) é dominante em relação ao seu intelecto, e que o mundo dos objetos vive dentro do mundo do desejo, e não vice e versa; e por último, mas não menos importante, Friederich Nietzsche, o senhor da genealogia da moral e do eterno retorno, o homem que mais influencia o pensamento moderno.

Muitos dos meus amigos, mais aqueles que lêem e não comentam, gostam de tentar entender como eu penso. Bom, pra eles, ta aí 70% da formação das minhas opiniões de bandeja. Com o adendo de um movimento literário, que apesar de pequeno, é meu favorito, e não foi citado ai em cima. E que dá nome ao texto.

Chama-se “Sturm und Drang”. É um pequeno movimento pré-Romântico existente somente na Alemanha. A tradução para o nome é “Tempestade e Ímpeto”, ou “Paixão e Energia”. Participaram desse movimento músicos como Bach e Mozart, pensadores como Rousseau e, fundamentalmente, um escritor genial chamado Johann Wolfgang von Goethe, ou simplesmente, Goethe.

O movimento ao qual eu me refiro surgiu dentro do Iluminismo, e alguns dizem que é a ele que o movimento combate, mas na verdade, ele é apenas uma crítica interna a algumas posturas iluministas, uma critica principalmente ao racionalismo e universalismo que ele propõe. Os autores do “Sturm und Drang”, ao contrário dos outros, não escrevem sobre a ordem natural do racionalismo – eles expressam violentamente as emoções mais difíceis. Eles incorporam a subjetividade do ser humano e a sua expressão individual, um êxtase de emoções e uma noção indistinta de liberdade com conotações psicológicas, sociais e morais. É nessa época que o conceito de gênio, das artes ou do pensamento, é criado.

É a partir desse período que nasce um interesse profundo na natureza humana. Nas suas paixões, que levam ao seu sucesso ou a sua queda. É aqui que bebe o Romantismo, em alguns aspectos. E todo mundo sabe que, embora eu negue até a morte, sou um eterno romântico. E que sou um aficionado pelo estudo do comportamento humano e principalmente das emoções e reações quanto a elas.

O livro chave desse movimento, e é agora que as pessoas me chamarão de doente, é a obra de Goethe “Os Sofrimentos do Jovem Werther”. Werther é uma personagem auto-biográfica de Goethe, que escreveu o escreveu aos 24 anos. O livro é um compilado de cartas de Werther, um jovem e apaixonado artista burguês que nunca consegue terminar suas obras, ao seu amigo Wilhelm, em que ele conta de forma bastante íntima sobre sua viagem a um vilarejo camponês. O livro, na verdade, é uma compilação dos sentimentos e sofrimentos – de Werther, que se apaixona por Lotte, uma mulher do vilarejo que é noiva de outro homem, e a forma como se desenrola o relacionamento, até o momento que Lotte diz a Werther que não podem se ver mais. Werther já havia realizado que o triângulo jamais poderia ser, e que para que isso terminasse, um dos três teria que morrer. Já que ele não conseguiria jamais machucar alguém ele acaba se matando com um tiro de pistola, emprestada por Lotte e seu marido, que não “sabiam” que ia dar nisso.

Trágico? Oh yes. A verdade é menos sinistra. Goethe, ainda bastante jovem, conheceu e se apaixonou instantaneamente por uma mulher chamada Charlotte. No mesmo baile, conheceu o noivo dela. Depois de um tempo de rejeições ele simplesmente foi embora. Anos depois ele escreveu “O Fausto”, virou uma das primeiras celebridades literárias, converteu-se ao Romantismo, influenciou Darwin e se arrependeu de ter escrito “Werther”. Embora o livro seja muito bom.

A coisa é muito simples. Existem visões e visões da realidade, que é subjetiva por si só. Embora as coisas estejam lá, cada um observa de um jeito, muito graças ao seu repertório. O meu repertório é basicamente pessimista, ele lida muito com as emoções, com os sentimentos, e por conta disso, meus textos soam mais tristes e depressivos que os da maioria. Isso não quer dizer que eu seja triste ou depressivo, só que a forma de expressar de forma escrita e mais intelectualizada dos meus pensamentos é.

Agora já sabem um pouquinho mais sobre minha loucura. Bwahuaehae.

segunda-feira, março 19, 2007

Sem textos depressivos, só agradecimentos...

Minha avó disse que meus textos são muito depressivos.

Lógico que ela não disse pra mim, ela disse pra minha mãe enquanto as duas tomavam sol na piscina do prédio dela. Minha mãe, por sua vez, me contou sem querer quando eu fui comentar que era bacana que pela primeira vez um blog meu durava o suficiente para chegar às mil visitas. Ela não sabia que eu tinha um. Então tive que mostra-lo, e ela, então, me repreendeu pelo “ex-alcoólatra” ali do lado. Prometi que ia tirar.

Daí fiquei pensando, beleza... tenho mil acessos e meus textos são depressivos, o que posso fazer juntando as duas informações? A idéia de um texto alegre de agradecimento às pessoas que de alguma forma tem sido ou foram importantes em marcos específicos na minha vida ou na formação do meu caráter surgiu quando a minha mãe disse que eu deveria homenageá-la, e a minha avó, aqui. Não foi uma das melhores idéias que eu já ouvi, mas como eu preciso atualizar isso aqui, então vamos lá.

Começando das origens, eu acho que deveria agradecer a minha mãe por me ter colocado no mundo. Por mais que ela tenha duzentos prêmios de criação, dada a sua genialidade (herdada pelo primogênito), eu ainda fui a melhor coisa que ela fez, embora ela discorde disso em alguns momentos. E sim, às vezes eu sou um pedante pretensioso, mas é do signo, não consigo evitar, então peço desculpas. Também peço desculpas pela câmera que sumiu, por favor não me mate ou me torture ditadura-style por isso. Obrigado também por apoiar meus projetos que nunca dão certo e por não reclamar tanto por eu ser um vagabundo preguiçoso e consumista. Eu ainda estou indo para a faculdade pelado.


Por conseguinte eu tenho que agradecer a minha avó por ter colocado a minha mãe no mundo, ou nada estaria desse jeito. E também por ser a pessoa com que eu sempre me identifiquei mais na família mesmo ela achando que eu escrevo bem mas sou depressivo e preciso de ajuda psicológica. Obrigado também por não deixar eu ir numa balada chamada "Vampyre" quando eu tinha 15 anos, e por ser a única pessoa que consegue fazer carne vermelinha e macia do jeito que eu gosto, e por ter me emprestado seu Tarot e nunca tê-lo pedido de volta. E obrigado por trabalhar com promotoras gatas e futuramente me arranjar um emprego em que eu também possa trabalhar com promotoras e xavecá-las.

Eu também tenho que agradecer o meu avô por ter sido rígido na criação da minha mãe e dos meus tios, quem vê o bobalhão que ele é hoje até acha estranho eu dizer uma coisa dessas, agradeço a ele por pensar que qualquer provação psicológica que a minha mãe possa fazer pesar sobre a minha pessoa hoje em dia – principalmente depois de ler esse texto - ele fez pior com ela. Obrigado por ser teimoso e gostar mais da Amanda que de mim, e por ter me ensinado a ter opinião sobre tudo. E principalmente por ter me apresentado uma das minhas maiores paixões, o cinema, e a incentivado.

Eu acho que sempre deixei claro a importância desses personagens na formação do meu caráter, se hoje eu escrevo tanta baboseira é por que eles deram corda para a minha loucura quando eu ainda era só um maniácozinho.

Eu também tenho que agradecer ao meu pai. Se ele não tivesse me colocado tanto de castigo, e feito eu ficar abraçado com a Amanda durante duas horas amarrado no meu quarto, hoje eu não poderia sacanear tanto o Matheus por ser mimado. Aliás, obrigado também por ter me apresentado a copaíba que me acompanhará até os Estados Unidos a patentear e o preço ficar absurdo, por me apresentar o mel com própolis, e quase todos os outros remédios que eu tomo, me tornando um semi-hipocondríaco maniáco. E por cuidar de mim quando eu tive pneumonia e quase morri, quando eu fiquei surdo e quase morri, e quando eu tive meu primeiro porre e quase morri.


Aliás, obrigado a Amanda por me fazer odiar Guns ‘n Roses, por ter criticado a igreja e virar crente - me dando motivos para sacaneá-la para todo o resto da vida, por ter arrancado nacos do meu corpo com os dentes quando era criança, e por sempre me trazer uma lembrancinha dos aniversários que ia. E ao Matheus por não se tornar um serial-killer mirim frente a tantos mal-tratos dos irmãos mais velhos, por chorar e me deixar com vontade de espancá-lo, e depois sair gritando que vai ligar para a polícia, e por se esforçar pra ser um carinha inteligente e curtir as mesmas coisas que eu curto, embora tente ao mesmo tempo ser malandrops tipo a Amanda.

Ainda na família, obrigado ao meu padrinho Ricardo por me ensinar a fazer a barba e a jogar tênis, se ele não tivesse incentivado o esporte desde pequeno e me ensinado a não dilacerar meu rosto com a navalha, hoje eu poderia estar pesando 280kgs, com o rosto todo barbudo e dirigindo uma Harley-Davidson. Agradeço também pelos bons momentos em Alphaville, boa parte deles passado na frente de um vídeo-game, o que é o torna responsável também por eu ser um game-maniáco. Obrigado ao meu tio Wagner, porque sem ele eu não teria a quem apontar como comparativo quando me acusam de faltar nas festas de família, e por ser um modelo inspirador de publicitário jovem bem sucedido e por ter criado a franquia “Games For Us”, a qual todos meus outros tios adentraram e me fizeram um jovem muito feliz, que criança não ia gostar de ter três tios no ramo dos vídeo-games?

Obrigado também ao meu tio Luis por embrulhar os presentes de amigo secreto dele em 8 caixas diferentes, com todos os tipos de empecilhos e tornar o Natal mais divertido por isso. Obrigado a quem faz as maracutaias na hora de sortear o amigo secreto da família por ele nunca ter me pego de amigo secreto. Obrigado também a minha madrinha Nilú, por parecer a Ivete Sangalo (?) e por ser engraçada, e também por ter um filho lindo que eu agenciarei como modelo quando for mais velho e ficarei milionário – embora ainda não tenha divulgado esses planos ao resto da família.

Infelizmente eu não tenho tanto contato com a minha família paterna quanto gostaria de ter, mas obrigado a eles também por excelentes lembranças. Férias bacanas, um armário trancado cheio de doces e muita zoeira, afinal, são meus primos com idade mais próxima.

Agora partindo para os meus amigos, obrigado primeiro aos mais antigos, como a Carol que me ajudou muito quando eu era um pirralhinho adolescente chato e cheio de problemas, e ela era uma velhaca chata e cheia de problemas. E agora eu tenho mais ou menos a idade que ela tinha e me sinto um velhaco chato, mas com muito menos problemas. Obrigado a Mai, por desenhar bem e mandar as primeiras cartas que eu já recebi pelo correio, embora o e-mail já existisse faz tempo – e junto dele, o ICQ. Aliás, obrigado ao ICQ por ter existido. Obrigado ao Jr por deixar com que eu fosse o clerk oficial das merdas que ele fazia só para que eu pudesse ironizá-las depois.


Obrigado ao Vinnie por ser um cara bacana e atuar de graça nos meus curta-metragem que estão por vir. Obrigado a Anna por ser bacana e deixar o Vinny atuar de graça nos curta-metragem que estão por vir, e por ser uma carioca ixxpéarta, uma das poucas que eu realmente consigo conversar. Se o Rio desaparecer com o degelo das calotas polares eu permito que você venha morar em São Paulo.

Obrigado ao Murilo por ser preto e ladrão. E por ser o cara que eu sei que sempre vou poder contar com, mesmo ele estando ranzinza e de mal humor, e quem sabe ele case com a minha irmã – que é o desejo da minha mãe, e eu tenha sobrinhos pretinhos ladrões e game-maniacos. Agradeço ao Daniel pela careca e pela quadra de futebol na qual eu não canso de torcer meu joelho, mas se não fosse por ele eu provavelmente não faria nenhum tipo de esporte whatosever, então, congratz. Obrigado ao Jambo por ser o Jambo, sem ele nós provavelmente teríamos que zoar mais outra pessoa e perder a amizade dela. Obrigado ao Franck por ter se arriscado num curso que ele não fazia idéia do que era só porque eu insisti muito e me acompanhar resmungando que nem um desgraçado para à faculdade nos dias que eu vou – e por causa disso, me lembrar todo dia, que existe alguém mais chato do que eu. Obrigado a Andréa por ser uma boa serviçal cozinheira de pretzels e por ter uma mãe bacana que doa livros de filosofia e incentiva o intelecto de jovens geniais como eu.

Bom... acho que é só. Tem um monte de gente pra agradecer, mas já ta extenso pra caramba esse post e acho que ficou alegrinho até. Espero que me perdoem pelas brincadeiras.

Até a próxima.

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Haha... okay, é uma cilada Bino. Imagina, se eu não agradeço essas quatro pessoas é bem capaz de eu levar um tiro de sniper da janela. São as pessoas que mais lêem esse blog, e o outro também, então acho que merecem um agradecimento especial. Mas só por isso. Das mil visitas, provavelmente dois deles juntos são responsáveis por ao menos 50%.

Obrigado a Fê, por perder sempre no pôquer, no buraco, no Mortal Kombat e no War, por fazer fisioterapia e descobrir que eu sou um pombo (tudo bem, pelomenos eu não preciso fazer aula de maiô), por morar longe (10 minutos daqui) e pegar busão pra vir nos ver mesmo sendo estuprada todo dia no caminho e me deixar preocupado porque não manda sms dizendo que chegou viva em casa e também por levar a sério as minhas brincadeiras quando ninguém mais me leva a sério. Obrigado também por sempre nos incentivar a ir na Offner engordar 30kgs por noite e por ser a única que costuma me dar oi no msn sempre, e sempre ubber espontânea por mais que eu te maltrate sem dó nem piedade.

Obrigado a Liene por ser preta e ainda assim nos ceder sua casa para bebedeiras, jogos e pornografia (okay, a ultima parte é mentira), por me acompanhar nas empreitadas no cinema mesmo nos filmes mais horríveis que eu já vi na minha vida (O Sacrifício e as Torres Gêmeas são bons exemplos) e por ser minha companheira de fofocas, principalmente quando é pra falar mal das outras pessoas pelas costas, por visitar meu blog, por ter um blog que eu possa visitar e que foi incentivo para que eu voltasse como o meu, e por perder sempre no pôquer, no buraco, no War, no Rumble Roses e no Mortal Kombat.

Obrigado a Francine por usar roupas de gente idosa, shorts e faixas de velha e reclamar de tudo sem parar. Por ser gorda, burra e azarada. E também por ser uma “gactinha ;P” que vive me dando fora quando eu a xaveco, e por não falar nada quando nós a zoamos – ou seja, sempre. Aliás, obrigado por não falar nada nunca, nem no msn. E obrigado por falar tudo, inclusive no msn, e confiar em mim quando outras pessoas pensariam duas vezes dada a minha natureza sádica, e obrigado por ter me dado o primeiro pedaço do seu bolo de aniversário. Obrigado também por perder sempre no pôquer, no buraco, no War, no Rumble Roses, no Mortal Kombat, no jogo de Damas e no Campo Minado (:X).

Obrigado ao Fernando por apoiar meus blogs e divulga-los no seu msn, por ser meu parceiro oficial de buraco e ganhar sempre todas comigo, por ser meu motorista particular no nosso carro e nunca cobrar a gasolina ou o estacionamento. Obrigado por dividir 90% das contas comigo, por ter me deixado esquecer a máquina da minha mãe no seu carro e ser atormentado por isso o resto da minha vida, e por gostar de mulher, algo raro no nosso grupo social, permitindo que eu faça comentários cretinos a respeito do sexo feminino quando as outras pessoas brigariam comigo.

E esse é, definitivamente, o maior post que esse blog já teve. E sem negritos ou correções gramaticais, porque nem por muito dinheiro eu o leio inteiro de novo. E eu ainda tenho otorrinolaringologista daqui a pouco. :/

domingo, março 11, 2007

Uma opinião original sobre o nada, e nada sobre originalidade.

Admito que morro de dó das pessoas que precisam de sua criatividade para viver. Minha mãe, por exemplo, que precisa inovar e criar novas promoções, novos eventos o tempo inteiro. Eu sofreria de uma agonia imensa se tudo o que me mantivesse empregado fosse a minha capacidade de criar coisas novas. Eu não sou um grande criador. Eu cheguei a essa conclusão dado ao ócio criativo que vivo nesse momento.

Não é que minha mente não seja capaz de desenvolver coisas bacanas ou assuntos interessantes a serem debatidos. É que eu me canso de tal forma comigo mesmo e com os meus pensamentos que eu sequer tenho forças de colocá-los num papel de uma forma que agrade, não tanto aos leitores, mas a mim mesmo. Eu prefiro a morte a criar algo que agrida o meu próprio senso de orgulho e intelecto, algo que me soe sacal ao ponto de eu não ter forças suficientes sequer de re-ler e colocar os negritos/itálicos que o pessoal já está acostumado por aqui.

Eu cheguei a ensaiar um discurso, essa semana, que falava da originalidade. Sobre como tudo é uma releitura de outro algo, como tudo é uma versão de alguma outra coisa, frase essa que retirei referencialmente do meu filme favorito, Closer, mas que provavelmente já havia sido usada em centenas de textos, livros e filmes. Mostrava como até mesmo esse blog é uma releitura de outro que já existiu, e como todos nós compomos o nosso comportamento de acordo com uma série de referências tanto da nossa origem quanto do ambiente ao nosso redor. Faz parte daquela minha linha de pensamento sobre como nós, humanos, somos influenciáveis e ao mesmo tempo influenciadores do nosso meio. Como dialogamos e trocamos através das nossas vivências com outras pessoas e situações e acabamos por incorporar um ou outro traço que não nos pertencia antes, e a doar os que possuímos para outrem.

Ironizava em alguns aspectos o fato de gostarmos de acreditar que somos todos únicos e originais. Mas isso é paradoxal, não podemos ser originais por conta de toda a influência externa que recebemos, mas é ela que nos faz assim, tão únicos. A combinação da nossa origem e das nossas referências, que dificilmente são iguais as das outras pessoas, é o que faz com que cada um de nós sejamos tão diferentes, mas sempre com algumas coisas em comum.

Acho que o link a ser feito entre esse texto, que eu tentava produzir durante a semana e que simplifiquei no amontoado de palavras acima, e os dois primeiros parágrafos deste aqui é que a criatividade é necessariamente relacionada com as nossas referências. E as nossas referências são buscadas nas nossas experiências, sejam elas quais forem. Um criativo precisa ter o canal aberto ao mundo acerca dele, e mais que isso, tem que estar disposto a buscar coisas novas e absorvê-las, para somar com o que ele já possuía lá no seu próprio banco de dados e montar algo somando tudo isso, algo diferente, novo, porém, com uma base em algo que já fora feito antes. Pois bem, o que eu não tenho tido nessas ultimas duas semanas são experiências diferentes.

Quer dizer, experiências inspiradoramente diferentes. Eu não leio nada que presta faz muito, muito tempo. Eu não vejo um filme novo, cabeça e bacana à mais tempo ainda. Enfim, semana passada eu sequer fui pra faculdade. Minto, fui um dia e ainda sai mais cedo. Claro, fiz coisas que fazia algum tempo que eu não fazia, joguei futebol e fui conhecer uma balada nova. Mas isso não ajuda em nada a construir um repertorio à se escrever sobre. Então eu busco as coisas no que eu já cansei de ver, filmes que eu admiro, livros que eu gosto, músicas que me inspiram, mas tudo muito gasto e já amplamente explorado. Daí tudo o que eu escrevo parece sacal, batido, e tenho aquela impressão de que já esgotei totalmente, comigo mesmo, o assunto a ser debatido. E perco todo o tesão de fazê-lo.

Pois bem, essa é mais ou menos a justificativa que dou para não ter alimentado esse blog durante as ultimas semanas. Aliás, se for levar em conta que o último texto que postei aqui era algo do meu antigo blog, que já havia postado antes, então fazem quase 20 dias que eu não escrevo nada que preste. Oh well, pra quem queria atualizar o blog a cada dois dias, 20 é um montão. Espero que com essa apologia disfarçada as coisas finalmente deslanchem. Inspirações a parte, eu ando até relativamente feliz com as coisas. E todo mundo sabe que eu escrevo muito melhor quando eu tou na fossa. Closer tem uma frase pra isso também.


Aos que não entendem nada das referências desse blog em particular, eu dou uma de graça. Os negritos/itálicos nas palavras contundentes, ou chaves, ou enfáticas, é algo que vem dos quadrinhos. Divirtam-se descobrindo as outras.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Tratado do Desencanto e do Desespero Revisitado

Uma Observação:

O Tratado do Desencanto e do Desespero foi redigido e postado pela primeira vez no dia 5 de Julho de 2005, no meu antigo blog (www.poetslair.blogspot.com). Estou revivendo o texto e postando-o aqui porque acho que é uma das minhas melhores argumentações embasadas em filosofia contemporânea, não aquela coisa velha e chata, mas algo bem mais palpável e vivível, e acho que seu significado, nesses dois anos, só receceu novos incrementos, nunca sendo diminuído e refutado. Além disso, é um dos meus melhores, se não o melhor, texto.

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Talvez a única grande falha na obra do filósofo contemporâneo André Comte-Sponville, que outrora já fora discutido e citado em meus textos seja o fato dele ignorar completamente a idéia do desencanto. Um fator importante nas relações sociais, materiais e ideológicas do ser humano. Considero de importante valia que se explique de forma singela e conceitual ao que se refere Comte-Sponville ao dizer que devemos perseguir a felicidade, desesperadamente, e seu conceito de desespero.

Para o filósofo desespero é justamente o que assim nos diz a palavra. Se gramaticalmente explorada, des pode ser reconhecido como um prefixo de negação frente à algo que já acontece, não é simplesmente a negação de uma situação inexplorada, mas uma que já acontece e deve ser abandonada; já o espero, vem do latim, e sua tradução mais conhecida para nosso idioma é a esperança. Desespero então, nada mais é, do que abandonar as nossas esperanças.

Comte acredita que o que nos impede de sermos felizes é justamente o fato de apoiarmos nossa felicidade no fato de todo tempo esperarmos que as coisas sejam melhores, esperarmos que algo aconteça, esperarmos certas condições que nos proporcionariam um efêmero sentimento de felicidade. Ele indica que sempre que esperarmos algo, esperaremos de um terceiro, ou de um fator que não podemos controlar e que pode ou não acontecer: se o fizer, excelente, no entanto o sentimento de felicidade efêmero logo perderá o lugar para uma nova esperança, como diz Schopenhauer - "Nossa vida é um pêndulo que balança entre o tédio e a infelicidade", quando temos o que queremos, nos entediamos, quando não temos, desejamos e somos infelizes. Se não acontecer, então, nos frustramos. A grande questão é que, pela situação ser resolvida sempre externamente a nós, jamais poderemos influenciar 100% na decisão, e por isso, estamos fadados ao lançar de uma moeda ao ar e a sorte do cara ou coroa quando nos apoiamos por demais na esperança.

A teoria seria perfeita se desconsiderássemos o fator do desencanto. Acredito eu, que no momento em que deixamos de lado as nossas esperanças e passamos a viver cada encontro único e singular com o mundo intensamente - Como diz Spinoza - buscando retirar dele o máximo de alegria e prazer, o que para Comte é o que gera a real felicidade - considerando a alegria como o amor, um amor por qualquer coisa e qualquer singelo momento e situação - acabamos por gerar um sentimento que é semelhante ao tédio, mas muito pior e mais intenso.

Conceituo como desencanto a perda da idealização que nos compele a agir. A esperança de um dia melhor é o fator que nos compele a levantar das nossas camas e buscar suprir as nossas faltas. Se vivemos somente a intensidade do momento com o máximo de alegria e prazer que pudermos, o que nos fará buscar esses momentos, senão esperar por eles? Ter vontade deles? Devemos levar em conta que a grande maioria das ações humanas são veiculadas através da razão, temos uma lógica para nossas atitudes e a grande maioria vive em uma estática rotina, a força racional que nos faz enfrentar a rotina e nos suceder aos encontros com o mundo é a esperança. Jamais existirá vontade de fazer, ser, existir, esperar, acontecer, sem ela.

Se abandonamos, então, nossas esperanças, nos confrontamos com o desencanto. Desencantar-se também tem seu viés interessante, é perder a ilusão de buscar as coisas idealizadas e despertar para o mundo de situações únicas, é perder o sonhar. Mas não é justamente essa a força motriz da sociedade, de qualquer civilização? O sonhar por uma vida melhor, por uma situação, ou simplesmente idealizar e sonhar por algo ilusório porém fortalecedor, como esperar que seja desenvolvida uma cura para o câncer de seu filho, ou para a solução da sua miséria quando se vive num país sem perspectivas? Não é isso que nos faz atravessar o dia e dentro desse dia aproveitar o máximo possível de tudo o que possa acontecer?

Acredito, então, que jamais devemos perder totalmente nossas esperanças, apenas limitá-las. Deixarmos de esperar pelas coisas fúteis e inexpressivas em nossas vidas: as coisas materialmente supérfulas (não as de grande valia), os fatores externos de temperatura, entre outros, e assim eliminarmos as pequenas causas da frustração cotidiana, transformando sua rotina em algo menos estressante por conta disso, e nos permitindo aproveitar cada experiência com nosso total empenho e atenção, e tirando melhor proveito de tudo o que a vida nos coloca, mas obviamente, sem perder o sonho e o encanto, nossa motivação e idealização para a vida, aquilo que nos faz levantar da cama de manhã e encarar um mundo que nem sempre é amigável e belo, com seus defeitos e problemas, e no final do dia voltar para casa vitoriosos e felizes de verdade, sem a efemeridade daquilo que é apenas desejo.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Eu sou só um, mas não sou um deles...

A referência inicial para esse post, com mais de 10 dias de atraso, é a música dos Paralamas do Sucesso, chamada Flores e Espinhos. Tem uma estrofe que diz assim: Até sermos engolidos / Pela vida sem brilho / Por nossos inimigos / Na rotina comum, e depois E mesmo que pareça tolo / e sem sentido / Eu ainda brigo por sonhos. Na verdade, essa é só uma das referências, mas a principal. Todo o CD na qual ela se encontra de alguma forma me inspirou a escrever hoje.

Eu sou só um, mas não sou um deles. Morro de medo de me tornar um deles. Uma dessas pessoas desinteressantes que cumprem uma rotina incessante de pequenos afazeres inóspitos, de rosto fechado, por todo o percurso da sua existência. Posso ser vagabundo e estar justificando minha acomodação com uma desculpa esfarrapada, mas eu simplesmente não consigo me observar vivendo uma vida normal. Trabalho, faculdade, casa, trabalho, faculdade, casa... Esperando uma sexta feira sempre distante chegar pra que eu possa realmente fazer o que eu quero, mesmo que isso seja dormir até às 8h da noite do outro dia.

Gosto da ilusão de liberdade que eu tenho, por mais passageira que seja. Eu posso sair às 3hs da manhã pra tomar um sorvete no Franz Café com meus amigos sem me sentir mal comigo mesmo. Posso faltar na faculdade com uma desculpa furada para pegar um cineminha ou assistir o jogo do Brasil com a galera. Posso ir no bar de dia de semana, dormir tarde, acordar tarde, fazer o que eu quiser dos meus dias vazios, contanto que eu, óbvio, mantenha o necessário de presença na minha única responsabilidade atual, que é a faculdade. Mas só o necessário. E tendo isso em mente, eu posso decidir quais dias são os necessários ou não e planejar meus horários. Mesmo que seja só pra perder horas e horas fazendo nada.

Eu me recuso veementemente a acordar cedo para passear com o cachorro se eu não quiser, depois ir pra academia cumprir uma rotina de musculação, ir pro trabalho cumprir metas e depois ir pra faculdade cumprir horários e voltar pra casa de obrigação cumprida. Me recuso. Eu me recuso ser dominado pelo tempo. Que ele passa, eu sei, tenho plena consciência. E ele também não volta. E é por isso que eu tenho o direito constitucional de fazer o que eu quiser com ele. Aproveitar ele do meu jeito. Eu me recuso a chegar frustrado aos 50 anos, se eu chegar, por não ter tido tempo de fazer as coisas que eu quis.

É mais ou menos por isso que quando descrevi uns posts atrás sobre o meu par perfeito existia dentro dele a característica espontaneidade. Não tenho a pretensão de dizer que tenho total domínio sobre os meus sentimentos, mas eu não quero, mesmo, me apaixonar, casar e ter filhos com uma mulher que esteja satisfeita. Satisfeita com a sua vida, satisfeita com o mundo, acomodada. Eu gosto de gente incomodada. Gente perturbada. Gente questionadora, incisiva. Gente que se recuse, como eu, a ser só mais alguém, como eles. Alguém que se submeta ao poder da rotina e do tempo e que se acostume com ele. Gente que se acostume com sua impotência, e que desista. Eu não quero desistir. É muito mais fácil ser só eu, se tiver alguém pra me apoiar. Ser diferente sozinho é complicado de mais pra qualquer pessoa.

Não importa como você gasta o seu tempo. O que importa é que ele é seu e você deve usá-lo pra se sentir bem e não para cumprir uma ordem social pré-imposta. Eu entendo perfeitamente que no momento sou privilegiado por poder gastar o meu como eu quiser, que nem todos tem os pais que eu tenho, ou a formação que eu tive, ou as facilidades e/ou dificuldades que eu encontrei e encontro, mas mesmo quando eu não puder, eu vou lutar sempre pra não deixar que essa merda toda me domine. Eu quero poder viver do meu jeito. Não quero planejar a vida para viver quando eu tiver 50 anos. Talvez por isso eu valorize tanto os gestos e iniciativas que quebram um pouco com essa rotina, que me atraiam para algo diferente, mesmo que sejam raras. E talvez por isso eu me canse e me entedie de tudo tão facilmente. Vai saber.

Eu sou só, mas não sou um deles. Espero, e desejo muito, que você também não seja.

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PS:

Vou experimentar esse negócio novo do blogger, de marcadores. Não sei como funciona, então não estranhem se tiver algo errado na hora de lerem a postagem.

sábado, fevereiro 10, 2007

Um conto moderno.

O movimento suave dos dedos foi mais do que suficiente para que a pequena ponta queimada do cigarro se desprendesse do resto e se desfizesse no ar, em cinzas, espalhando-se pelo ambiente e desaparecendo, como se nunca estivesse estado ali. Os olhos cinzentos, levemente ofuscados pela luminosidade do lugar, pareciam perdidos e moviam-se energeticamente de um lado a outro da orbe ocular, como se procurasse por algo que lhe chamasse a atenção, um refúgio aonde pudesse repousar.

Encontrou, no meio da turba que se movia de forma lasciva, em algum tipo de dança que ele intimamente considerava patética, algo que lhe valia a perda breve de alguns segundos. Levou os dedos até o canto dos lábios, massageando-os com a ponta gentilmente num movimento que parecia encobrir qualquer vestígio de malícia que o sorriso cretino pudesse ostentar, em seguida tragando da fábrica de câncer ambulante que carregava presa entre o médio e o anelar, soltando mais um tanto de fumaça para cima.

Na mão livre trazia uma long neck de urina engarrafada. Não conseguia entender como algo tão sem graça podia agradar tanta gente. O que mais o perturbava, na verdade, era o cheiro. Não era o fato de ter de ir ao banheiro de trinta em trinta minutos, enfrentando filas sem fim e pisando sobre poças de mijo para chegar até o tão almejado mictório, nem sequer o fato da bebida poucas vezes faze-lo alcançar o grau desejado no tempo necessário, não. Nada disso. O cheiro. Levou a cerveja até os lábios e deu um gole longo, sentiu a bebida em temperatura inferior ao que seria aprovável escorregar pela garganta, arranhando-a, agredindo-a, e os olhos lacrimejaram por breves momentos. Largou-a ali mesmo e caminhou na direção da pista.

Era de seu costume ver o que de errado todas as situações possuíam. Costumavam dizer que ele parecia acima de todo o resto, como que observando de uma distância segura a brincadeira que se passava na ciranda social. Diziam que ele estava sempre atento, duvidavam que algo lhe pudesse escapar do olhar sempre presente, sempre inquisitivo e provocante. A situação em que se encontrava, podia observar, não era das mais interessantes. Estava ele, deslocado de seu habitat natural e confuso como qualquer outro animal estaria. A bebida não o satisfazia e as luzes lhe feriam a vista. A música era como uma pequena e torturante britadeira ecoando prédio acima até seu andar, apartamento de janelas abertas e ele deitado na cama com o som infernal lhe invadindo os ouvidos que imploravam por paz e um pouco de descanso. Além de tudo isso, podia sentir as gotículas de suor escorrendo pelo canto do rosto, algumas vezes teimosas o suficiente para lhe cair por sobre a maçã e obriga-lo a mover a mão para limpa-la.

Mas conseguia enxergar também algumas vantagens, o som e a luz somados à bebida faziam entorpecer a mente das pessoas mais facilmente sugestionáveis. O suor escorrendo era generalizado, o que de alguma forma era agradável – ele não pareceria o único suíno no lugar. Não demorou muito para que as passadas firmes e a vontade inabalável de se locomover pelo local inundado de corpos rumo ao objetivo capturado por seu olhar causasse pequenas aberturas. Havia algo de cheiro, algo de hormônio, algo de postura. Algo que diferenciava o predador do rebanho, que identificava o líder da matilha e que fazia com que a percepção quase inexistente do ser humano ativar-se e involuntariamente fizesse-o mover-se para que o homem pudesse passar.

Sentiu uma das mãos tocar em outra. Sem demorar muito, elas escaparam e tocaram a pele crua do que seria uma cintura. Aproximou o corpo, invadiu o espaço pessoal da jovem, aquela que ele pousara o olhar minutos atrás, avistando-a no meio da pista sozinha embora rodeada de outras criaturas. Era engraçado como em momentos pouco propícios tinha visões extremamente românticas e nada compatíveis com a personalidade que gostava de mostrar, via-a como uma flor solitária num mar de cactus. Agressivos – feriam -, mas ao serem dominados possuíam uma grande reserva de água que poderia ser utilizada em casos limite de desespero.

Permitiu que deslizassem as pontas do dedo pela pele, enquanto contornava o corpo da garota, de um lado ao outro, dedilhando-a como um pedaço de seda macio. Parou atrás dela, ao lado do ombro esquerdo e aproximou os lábios do ouvido da fêmea. Sussurou algo que a fez voltar-se na direção dele com a fronte espantada, como se tivesse ouvido um segredo mortal. Ele sorriu com o canto dos lábios, erguendo-o levemente no que poderia ser considerado uma obra prima da interpretação teatral moderna. Olhou-a firmemente nos olhos, fitando-os e instigando-os, como se olhasse além.

Ela então, após alguns breves segundos, teve um estalo. Um insight sobre o que lhe fora dito. Ele estava acostumado com a demora da reação alheia. Não poderia esperar que todos tivessem o raciocínio na mesma velocidade do dele. A garota sorriu, não só com os lábios como também com os olhos. Ele achava aquilo bonito, como algumas mulheres conseguiam se comunicar não somente com os lábios e com o som, ou com o corpo, mas também e principalmente com os olhos. Era um dom, tinha certeza. Segurando-a novamente para cintura, trouxe o corpo para mais perto, junto ao dele, ainda fitando-a nos olhos. Sem resistência, ela movimentou os braços, abraçando o tronco dele, encaixando-se melhor. Fechou os olhos, esperando pelo inevitável. Ele sorriu, agora como vitorioso. Embora acostumado com a arte de dominar o parceiro, não deixava de sentir-se bem a cada nova conquista. Apressou em junta-la mais, encaixando a perna entre as dela e ousou um movimento do rosto na direção dos lábios entreabertos.

[...]

“Que merda!”.

[...]

Quando deu por si a garota já estava no chão, e ele balançava a mão algumas vezes. A mão que havia esquecido. Repetiu o insulto novamente e olhou com desdém para a jovem de braço estendido pedindo ajuda para levantar. Precisou de alguns segundos para rever o que acontecera na sua mente, a dor e então o movimento de livrar-se do abraço da garota sem muita delicadeza desequilibrando-a e deixando-a no chão, então olhou para a marca de queimadura entre o médio e o anelar, originária do cigarro que esqueceu de apagar. Bem que lembrava de alguém dizer que aquela merda ainda ia atrapalhar algo importante.

Deu as costas e voltou a caminhar na direção do bar, iria precisar de mais uma garrafa de urina gelada para sobreviver àquela noite.

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Pós-Escritos:

O conto não foi revisado e nem será. Provavelmente contém inúmeros erros de português, datilografia e concordância, mas eu não dou a mínima.

Sei que prometi uma coisa no último post, mas como eu estava inspirado pra redigir um conto - e não uma dissertação, e precisava urgente atualizar esse blog, decidi postá-lo aqui e fica por isso mesmo. Nas próximas atualizações eu juro que cumpro minha promessa inicial e falarei sobre o assunto que pedi para que pensassem.

Outra coisa, estou lançando, com um amigo, um blog novo. Chama "Soh na Cretinage". Vou adicionar o link ali do lado.

O blog tá tendo bastante acesso, mais de 150 por semana. Isso é bem, bem, bem bacana. Mesmo sendo metade gente que volta pra ver se eu atualizei duas ou três vezes na semana, o que é mais bacana ainda, porque tem gente querendo ler ;P. Vou ver se atualizo com mais frequência, ok? Comentem, por favor. ;P São os comentários que me empolgam e me fazem continuar a escrever. Simple like that.