terça-feira, maio 08, 2007
O poder dos nomes.
Essa frase é dita por Romeo. Ele indaga qual a importância de um nome, se uma rosa seria doce igual se tivesse outro nome. Não considero essa imagem contraditória ao que meu texto vem dizer, pra mim, ela ajuda a reforçar o contexto. Os nomes têm poder, e os dois personagens da obra romântica sofrem por conta do poder de seus nomes.
Vejo a função do nome como sendo aquilo que define alguma coisa. Sabemos que uma cadeira é uma cadeira unicamente porque ela possui um nome que a defina, e que a partir dele, possamos reconhecê-la e a todo o seu grupo. O mesmo acontece com todas as outras coisas, até mesmo as que não possuem forma física, que são puramente conceito – mãe, por exemplo. Ou sentimentos como amor e saudade. Sabemos que sentimos saudade porque aquele sentimento de falta acompanhado pelo desejo de ter a pessoa relacionada perto é saudade por conta do termo, de outra forma, seria apenas algo que não saberíamos direito o que é.
Acredito que as pessoas também sejam mais ou menos assim. Somos definidos por nossos nomes, e sem eles não existimos. Quando ninguém te conhece, ou ninguém sabe seu nome, é costumeiro que você seja tratado como ninguém – uma figura inexistente, um espectro, até que cause alguma reação que chame a atenção para si – então, a pessoa irá educadamente perguntar o seu nome e a partir daí iniciar uma relação. A partir daí, sempre que seu nome for mencionado, as pessoas que possuem a sua imagem em seu “banco de dados” irão automaticamente relacionar a sua figura ao nome, e você será “lembrado”, e por conta, existirá.
Indo além, o seu nome é tão poderoso que é capaz de trazer a tona sentimento ou causar manifestações diversas. Quando alguém nutre algum tipo de sentimento quanto a você é impreterível que o sentimento aflore à menção do seu nome. Alguns nomes mais icônicos causam ainda mais, Bono Vox pode remeter a uma canção e Che Guevara a uma discussão política. Por Zapata pessoas vão à rua. É tido na maioria das lendas urbanas e jogos de RPG por ai, que os “demônios” guardam a sete chaves seus nomes, pois através deles é possível controlá-los.
A numerologia jura de pés juntos que a partir da composição do seu nome vertido letra a letra em números é capaz de dizer a sua personalidade, e muita gente no mundo acredita nisso – e como qualquer outro tipo de crendice existe até momentos em que faz sentido. Tirando as formas de tratamento em geral - ser tratado pelo sobrenome causa aparente importância, quando pelo primeiro, proximidade ou simplicidade.
Agora, se um nome possui poder... Se ele é capaz de definir a sua personalidade, causar manifestações, remeter a figuras, conceituar a imagem, entre tantas outras coisas, eu não consigo entender porque as pessoas comumente abrem mão de seus nomes, “únicos” em sua própria forma, em prol de apelidos esdrúxulos ou no mundo mais “hipe”, nicknames.
Se aquilo que te define desde quando você nasceu é o teu nome para que você quer chamar “Batata”, “Magrão”, “Stinky”... Ou ainda pior, “Naruto”, “Hyoga”, “Jack Sparrow” ou outros nicknames virtuais em geral. Batata não é você, batata é um negócio que fica uma delícia quando é frito e comido com filet mignon. Você não chama Naruto, ele é um personagem tosco de desejo japonês que tem tracinhos no rosto.
Veja bem, não tenho nada contra apelidos carinhosos entre namorados ou família, até diminutivos ou apelidos relacionados ao próprio nome do dito cujo. Até consigo entender os apelidos que recebemos de zoação das outras pessoas – desde que esteja claro que é uma zoação, e você não o adote definitivamente -, mas eu não consigo me relacionar com um cara que vai ser chamado de “Formiga” para o resto da vida. É diferente você adotar uma identidade virtual (um código pelo qual você vai ser reconhecido quando estiver navegando ou fazendo algo por aqui) de você passar a ser reconhecido, definido, por um termo que remete a outra imagem que nada tem a ver com o que você é inicialmente.
Acredito piamente que quando você perde seu nome você perde a sua identidade. E que qualquer identidade desenvolvida por sob um nome que não o seu é puramente uma máscara – tão significativa quanto às diversas máscaras psicológicas que já usamos para nos cobrir e proteger. E por isso, é coisa de perdedor.
Gabriel “Journeyman” Rodriguez Cal.
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Pós-Escritos:
Demorou, mas atualizei. Ando sem tempo por causa do trabalho. Acho que dessa vez termina na quinta feira, nem tenho entrado direito no msn.
Tinha algumas coisas que eu queria comentar:
O Skol Beats foi muito bacana. Finalmente consegui ir sem alguma desgraça acontecer no percurso, fui na sexta-feira ver David Guetta e MstrKrft, o Guetta foi alucinante com seu groovy house, provando que esse ano figura tranquilamente no top 10. Já os caras do MstrKrft não foram, infelizmente. Eles iam tocar 7h da manhã, mas ficaram doentes. Uma amiga que foi no Coachella disse que o show dos caras foi um dos top 5.
No lugar de destaque da noite, ao invés do MstrKrft que não foi, coloco Addictive TV. Se der procurem filmes dos caras no youtube, eles são geniais. Mesclam o som eletrônico com áudio e vídeo original de diversos shows, filmes e clipes. Tipo, tiveram a manha de mesclar os principais filmes do Tarantino com um show do Queen e uma batida eletrônica contagiante. Muito bom.
Quanto ao Spider-Man III, não sei o que vocês acharam, mas eu me decepcionei. [Spoilers] Pra mim só tem algumas poucas coisas que valem a pena no filme: o Sandman “fumaça-do-lost”, a Bryce Dallas-Howard maravilhosa como Gwen Stacy, o Stan Lee e principalmente o James Franco ficando deformado e morrendo – odeio esse filho da puta! Ele é a Katie Holmes homem! Torto maldito! O resto do filme é meio patético. Longo de mais, ele tenta compensar o tamanho com sketchezinhas de humor tosco e um Peter Parker emo-catador-revoltado. Whatever.
Sem negritos porque estou morrendo de dor de cabeça. Até a próxima.
quinta-feira, abril 12, 2007
Porque eu odeio a Pizza Hut
Estava eu no trabalho quando me convidam pra almoçar na Pizza Hut. Eu sempre, SEMPRE, nego todo e qualquer convite para comer na Pizza Hut não importa de quem venha, mas sabe deus porque hoje decidi aceitar – meio cansado de comer aquela porcariazinha de todo dia aqui do lado.
Beleza... saio daqui da Brigadeiro, pegamos a República do Líbano pra depois cortar por dentro de cair na Bandeirantes onde fica, numa das localizações mais escrotas de Sampa, a Pizza Hut mais próxima. Nessa brincadeira, 40 minutos de trânsito.
Ao chegar lá, você já é assaltado na porta. Estacionamento só com Vallet, 4 reais a hora. Você deixa seu carro com o rapazote e entra no restaurante. Na porta, um banner enorme, um stand da carteira de estudante e dois ou três proletários te abordando incessantemente perguntando se você não quer fazer uma carteirinha de estudante da jovem pan ou raio que o parta. Você se desvencilha depois de uma batalha árdua, uma mocinha te leva pro andar de cima e te pergunta “mesa pra quantos?”, você “três!”.
Ela te enfia num canto e pergunta “nessa mesa?” enquanto aponta para uma mesinha pra quatro pessoas junto da janela com a luminosidade do dia te ofuscando e o calor fritando seu cérebro, “ou nessa mesa?”, outra mesa similar, do outro lado do corredor só que na parede – o detalhe fica por conta do urso de pelúcia enorme e grotesco com o qual você deverá dividir o assento e por ventura comprá-lo se for do seu interesse.
Na sua frente, pelo menos mais doze ursos de tamanhos variados aglomerados nas mesas de canto. Sem problemas, você senta, ela te trás seu cardápio, dois, afinal, três pessoas não precisam de três cardápios, uma delas vai ler alto pra todo mundo do restaurante ouvir. Agora, o cardápio é uma peça a parte. Ele pode ser qualquer coisa menos um cardápio. Parece a revista MTV cheia de marca-páginas. Propagandas de tudo o que você pode imaginar, inclusive da carteirinha de estudante, e promoções variadas. O preço das coisas que é bom, nada. Eu lá, tentando em vão entender como funciona aquele cardápio horrível, procuro na orelha a aba “Pizzas”, e penso “Ah, agora vai”. Abro lá, mais penduricalhos, “uma página dupla inteira (ooh) só para os sabores variados de pizza”, penso eu... que nada, de um lado uma imagem gigante de várias pizzas com massas distintas que você pode escolher, e do outro lado a dúzia de sabores que você pode pedir com o adendo de terem somente nos tamanhos grande ou super grande.
Porra... não quer uma grande, não tem pizza individual nessa merda? Fui perguntar pra atendente, e ela “Tem, desses sabores” e disse quatro saborezinhos rápido que eu só consegui escutar o último, “pepperoni”, e foi aquele mesmo. Sem preço, lógico. Daí pedi uma coca. Não tem coca, só tem pepsi. Tudo bem, manda uma pepsi só com gelo. Quando você pede só com gelo, sub-entendesse que o cara vai trazer um copo com gelo e uma lata de pepsi, mas não... o cara me traz um copo com gelo cheio de pepsi e eu não tenho nem o direito de saber quanto colocaram no meu copo, nem de ver minha latinha ou sequer de saber quanto gelo jogaram ali antes de misturar com o meu refrigerante!
Beleza... Enquanto você espera vinte minutos pelo seu pedido começa a procurar coisas pra fazer, eu faço isso pelo menos. Fiquei olhando a mesa, e percebi que que todas elas tinham um suporte no canto carregado de flyers e panfletos das diversas e interessantíssimas promoções da pizza hut que não couberam só no cardápio. Se você ficar super impressionado pode até tirar um flyer dali e levar pra casa. Me senti agredido.
Fiquei pior quando um rapazote voltou a me abordar, dessa vez eu sentado na mesa. Me deu um flyerzinho pequeno e disse “Você gosta de Café?”, não deu tempo de responder, “Com esse flyer ai você compra um café e ganha outro, é um brinde, blablablablabla”. E eu fazendo “Aham”. Quando eu achei que ele tinha terminado e ia voltar a minha atenção de novo pro cardápio do inferno, ele me veio com outro, e voltou a falar “Esse aqui é assim, é como um cartão pré-pago, sabe? Tipo de celular, só que o crédito que você bota, você ganha em dobro pra consumir. Por exemplo, ta comendo aqui, pede o xyz de mnpq que vai dar mais ou menos 72 reais. Você tem um cartão pré-pago da pizza hut com 40. Com os 10% os 72 vao ficar uns 79 reais mais ou menos, daí é só você dar seu cartão pra pagar e pronto, os 40 valem 80 reais!”.
Não sei que tipo de filha da puta gasta 80 reais numa pizza horrível, de merda, assada no forno com a massa ruim e catchup ao invés de molho de tomate, ainda sendo atacado por todos os lados possíveis por merchandising e promoções horríveis. Mas tudo bem, nessa altura do campeonato eu só queria comer. Meu pedido chegou uns 10 minutos depois que o rapaz me deixou em paz, uma pizzazinha medíocre que não ocupava nem a parte de dentro inteira do prato que eles me deram pra comer. 10 pila. Puta que pariu! E ainda erraram a salada de uma das pessoas que estavam me acompanhando.
Fala sério...
Depois você decide cursar uma faculdade de Publicidade e na sua primeira aula de Marketing te dizem: “Sabe qual o case mais patético da história da publicidade brasileira? A Pizza Hut. A franquia já faliu mais de 14 vezes no Brasil”, e você se pergunta “Uai, porquê?”.
quarta-feira, abril 11, 2007
Sorvete de Creme ou de Baunilha?
Na verdade, só queria dizer que eu não faço a mínima noção da diferença entre sorvete de creme e de baunilha.
Tipo... eu tava comendo o melhor sorvete do planeta, também conhecido como Magnum Amêndoas, e fui ver do que ele era feito. Daí tava lá, “sorvete de baunilha” e pedaços de “avelã e amendoim”. E eu tava crente que era de creme!
Perguntei pro Japa aqui, e ele me disse que sorvete de creme é mais amarelado e doce e o de baunilha é o branco. Mas quando você compra sorvete de Flocos não é de “creme com pedaços de chocolate”?
Acabei de perceber a influência enorme que a baunilha ou o creme possui na minha vida. Eu só tomo sorvete de flocos, creme e crocante... E o melhor picolé do mundo é de baunilha! E agora? Isso sem falar os pedaços de “avelã e amendoim”. Qual a diferença entre avelã e amendoim? Tipo, se você me der uma avelã e um amendoim eu vou saber diferenciar, mas quando ele ta picadinho e no sorvete, como você sabe qual que é qual?
Eu vou na Offner praticamente todo mês e tenho que perguntar sempre pra moça do sorvete qual que é a cobertura de amendoim e qual que é a de avelã, porque parece sempre igual! E esses dias eu reparei que a cobertura de amendoim não era tão gostosa quanto eu lembrava ser, nas épocas de criança, e de repente... BUM! E se a cobertura que eu curto mesmo é a de avelã e nunca soube?
Me mandaram umas receitas aqui, daí no sorvete de creme tem ½ frasco de essência de baunilha, e no de baunilha tem ½ litro de creme de leite. Não parece que tem algo muito errado com tudo isso?
Só pode ser uma conspiração. Alguém tem a resposta? :/
terça-feira, abril 03, 2007
O Tempo.
Havia um cigarro, e haveria também quem o tragasse. O cigarro, fumo e nicotina embrulhados num papel longo e branco, com o fundo amarronzado e seu limite demarcado por um pequeno traço – até onde poderia se por a boca, recebia a marca do batom róseo da mulher de lábios finos e delineadores mal utilizados. Ela parecia sugar com alguma pressão a fumaça para dentro dos pulmões já provavelmente enegrecidos pelos males do vício antigo.
Na mesa, a sua frente, repousava uma revista sobre design. Ela tentava folhear com a ponta de um dos dedos livres enquanto o café sobre a outra página, dentro de uma pequena xícara formava uma pequena bolha de calor. No seu pulso, o relógio caro de vidros safira e pulseira de couro marcava, com suas duas setinhas e algo que se assemelhava a um bastão o tempo do dia. Quatorze horas, trinta e três minutos e oito segundos.
Ao seu lado, o vento parecia curvar-se para bagunçar os cabelos relativamente longos e louros de uma criança de pé junto a máquina de refrigerantes. O menino parecia observar com atenção cada uma das opções, todas ao mesmo tempo, como um plano geral de um filme pouco trabalhado, e buscar em sua mente por uma escolha. Sabe-se disso pela direção dos olhos, o franzimento da testa, a indecisão do pezinho que em breve, provavelmente, se chocaria contra os ladrilhos do chão pedregoso. Era gesto comum em quem não sabe direito o que quer do seu segundo, porém, justo quando visto em uma criança que ainda teve poucos segundos para entender.
Pouco adiante, a mão tocava com as mãos calejadas do trabalho matinal a cadeira alva do hall, em uma mesa ao canto, quase como se sentisse protegida junto à parede. Os dedos claramente forçavam o material sintético do qual o assento era construído, a pele se contorcia, formando pequenas ondas disformes, dada à pressão. A bolsa lhe pendia por um dos ombros, em descendência direta, rumo ao chão. Sabe-se que dentro da bolsa dela, como de qualquer outra mulher, provavelmente existiriam dezenas de pequenas coisinhas de significância razoável que talvez se espalhariam pelo chão tomando os segundos de outras pessoas que, simpáticas a figura solitária materna, decidissem auxilia-las a recolher do chão seus infortúnios.
Do lado de fora, o céu escurecido anunciava a chegada de água. Uma parte mais iluminada entre duas nuvens negras traçava a forma de uma raio e quase chocava-se contra uma outra parte indistinta do horizonte. Não fazia som, no entanto. Ainda. Se pudéssemos ver com mais clareza, ficaríamos espantados com o número de gotículas de água que desprendiam-se ao mesmo tempo do composto gasoso e tombavam verticalmente.
Os ponteiros do relógio então pareceram enervar-se. Rompiam a funcionalidade do tempo eterno e rebelaram-se contra as diretrizes da racionalidade. De forma súbita, a chuva de cem chuvas iguais aquela passou como um raio, sem raios mais veloz que aquele. A mulher virou uma mulher cem anos mais mulher que aquela e seu café voltou a ser grão, de perfume cem vezes mais enebriante que o grão original, a mãe virou filha cem anos mais experiente que aquela, e a criança tornou-se adulta cem vezes mais adulta que as outras. O cigarro se desfez em cinzas, que o vento cem vezes mais forte que todos os outros tratou de carregar em seus braços para cem distâncias mais distantes do que as que ele estava acostumado.
O final é sem fumaça. E na bolsa guardam-se sonhos.
Tempo.
sábado, março 31, 2007
Poesias sem nome...
De duvidoso gênio forte
Ergue-se em tão belo porte
Que nada poderia ser mais certo.
E a noite, surge, como remédio
o seu lábio rubro, que arde
Acalentando como a tarde
O gelo raso do meu tédio
Esconde a imagem, tão desejosa,
E sorrindo tenta enganar,
que o poeta mente com pesar
sobre a verdade mais dolorosa:
Antes fosses como deserto,
Que de secura leva a morte
Assim somente ele teria a sorte
De observá-la mais de perto.
Algo vago e sem brilho,
Muito mais como um sentimento
Como uma idéia que perdura.
Algo vago, porém preciso,
Muito mais como linha de um poema
Como uma mentira acolhedora.
Algo vago, frio e vazio,
Muito mais como um pesadelo noturno
Como um sonho sem censura.
Algo vago e que não se vê,
Muito mais como amantes sem romance
Como eu e como você.
terça-feira, março 27, 2007
Sturm und Drang, ou entendendo um pouco sobre como eu penso.
Cá estou hoje, postando da forma como me é mais característica depois de uma desvirtuação básica. Achei-me na necessidade de explicar um pouco da formação dos meus conceitos. Na verdade, a conotação que meus textos recebem desde os primórdios, como tristes, depressivos ou pessimistas possuem uma base de verdade que de alguma forma me incomoda. Incomoda por não entenderem o porque. O fato deles assim serem não tem a ver com o meu estado de espírito, tem a ver com a formação meu pensamento, é mais ou menos isso que o texto de hoje fala. É uma tentativa rala de justificar o porque eu escrevo desse jeito, e ainda assim sou tão bobo alegre.
Quem me conhece sabe que eu baseio minhas abordagens “intelectualóides” do mundo basicamente em cinco filósofos: Baruch de Spinoza, responsável pelos meus momentos materialistas; André Comte-Sponville, responsável pelos meus momentos mais positivistas e humanistas; e três homens que são responsáveis por boa parte do pensamento contemporâneo, que por acaso, também são os três filósofos mais pessimistas da história, a chamada tríade do mal da filosofia: Soren Kierkegaard, o pai do Existencialismo e o dono da frase “subjetividade é a verdade, e a verdade é subjetiva”; Arthur Schopenhauer, que é conhecido por sua filosofia de que a vontade humana (o desejo) é dominante em relação ao seu intelecto, e que o mundo dos objetos vive dentro do mundo do desejo, e não vice e versa; e por último, mas não menos importante, Friederich Nietzsche, o senhor da genealogia da moral e do eterno retorno, o homem que mais influencia o pensamento moderno.
Muitos dos meus amigos, mais aqueles que lêem e não comentam, gostam de tentar entender como eu penso. Bom, pra eles, ta aí 70% da formação das minhas opiniões de bandeja. Com o adendo de um movimento literário, que apesar de pequeno, é meu favorito, e não foi citado ai em cima. E que dá nome ao texto.
Chama-se “Sturm und Drang”. É um pequeno movimento pré-Romântico existente somente na Alemanha. A tradução para o nome é “Tempestade e Ímpeto”, ou “Paixão e Energia”. Participaram desse movimento músicos como Bach e Mozart, pensadores como Rousseau e, fundamentalmente, um escritor genial chamado Johann Wolfgang von Goethe, ou simplesmente, Goethe.
O movimento ao qual eu me refiro surgiu dentro do Iluminismo, e alguns dizem que é a ele que o movimento combate, mas na verdade, ele é apenas uma crítica interna a algumas posturas iluministas, uma critica principalmente ao racionalismo e universalismo que ele propõe. Os autores do “Sturm und Drang”, ao contrário dos outros, não escrevem sobre a ordem natural do racionalismo – eles expressam violentamente as emoções mais difíceis. Eles incorporam a subjetividade do ser humano e a sua expressão individual, um êxtase de emoções e uma noção indistinta de liberdade com conotações psicológicas, sociais e morais. É nessa época que o conceito de gênio, das artes ou do pensamento, é criado.
É a partir desse período que nasce um interesse profundo na natureza humana. Nas suas paixões, que levam ao seu sucesso ou a sua queda. É aqui que bebe o Romantismo, em alguns aspectos. E todo mundo sabe que, embora eu negue até a morte, sou um eterno romântico. E que sou um aficionado pelo estudo do comportamento humano e principalmente das emoções e reações quanto a elas.
O livro chave desse movimento, e é agora que as pessoas me chamarão de doente, é a obra de Goethe “Os Sofrimentos do Jovem Werther”. Werther é uma personagem auto-biográfica de Goethe, que escreveu o escreveu aos 24 anos. O livro é um compilado de cartas de Werther, um jovem e apaixonado artista burguês que nunca consegue terminar suas obras, ao seu amigo Wilhelm, em que ele conta de forma bastante íntima sobre sua viagem a um vilarejo camponês. O livro, na verdade, é uma compilação dos sentimentos – e sofrimentos – de Werther, que se apaixona por Lotte, uma mulher do vilarejo que é noiva de outro homem, e a forma como se desenrola o relacionamento, até o momento que Lotte diz a Werther que não podem se ver mais. Werther já havia realizado que o triângulo jamais poderia ser, e que para que isso terminasse, um dos três teria que morrer. Já que ele não conseguiria jamais machucar alguém ele acaba se matando com um tiro de pistola, emprestada por Lotte e seu marido, que não “sabiam” que ia dar nisso.
Trágico? Oh yes. A verdade é menos sinistra. Goethe, ainda bastante jovem, conheceu e se apaixonou instantaneamente por uma mulher chamada Charlotte. No mesmo baile, conheceu o noivo dela. Depois de um tempo de rejeições ele simplesmente foi embora. Anos depois ele escreveu “O Fausto”, virou uma das primeiras celebridades literárias, converteu-se ao Romantismo, influenciou Darwin e se arrependeu de ter escrito “Werther”. Embora o livro seja muito bom.
A coisa é muito simples. Existem visões e visões da realidade, que é subjetiva por si só. Embora as coisas estejam lá, cada um observa de um jeito, muito graças ao seu repertório. O meu repertório é basicamente pessimista, ele lida muito com as emoções, com os sentimentos, e por conta disso, meus textos soam mais tristes e depressivos que os da maioria. Isso não quer dizer que eu seja triste ou depressivo, só que a forma de expressar de forma escrita e mais intelectualizada dos meus pensamentos é.
Agora já sabem um pouquinho mais sobre minha loucura. Bwahuaehae.
segunda-feira, março 19, 2007
Sem textos depressivos, só agradecimentos...
Lógico que ela não disse pra mim, ela disse pra minha mãe enquanto as duas tomavam sol na piscina do prédio dela. Minha mãe, por sua vez, me contou sem querer quando eu fui comentar que era bacana que pela primeira vez um blog meu durava o suficiente para chegar às mil visitas. Ela não sabia que eu tinha um. Então tive que mostra-lo, e ela, então, me repreendeu pelo “ex-alcoólatra” ali do lado. Prometi que ia tirar.
Daí fiquei pensando, beleza... tenho mil acessos e meus textos são depressivos, o que posso fazer juntando as duas informações? A idéia de um texto alegre de agradecimento às pessoas que de alguma forma tem sido ou foram importantes em marcos específicos na minha vida ou na formação do meu caráter surgiu quando a minha mãe disse que eu deveria homenageá-la, e a minha avó, aqui. Não foi uma das melhores idéias que eu já ouvi, mas como eu preciso atualizar isso aqui, então vamos lá.
Começando das origens, eu acho que deveria agradecer a minha mãe por me ter colocado no mundo. Por mais que ela tenha duzentos prêmios de criação, dada a sua genialidade (herdada pelo primogênito), eu ainda fui a melhor coisa que ela fez, embora ela discorde disso em alguns momentos. E sim, às vezes eu sou um pedante pretensioso, mas é do signo, não consigo evitar, então peço desculpas. Também peço desculpas pela câmera que sumiu, por favor não me mate ou me torture ditadura-style por isso. Obrigado também por apoiar meus projetos que nunca dão certo e por não reclamar tanto por eu ser um vagabundo preguiçoso e consumista. Eu ainda estou indo para a faculdade pelado.
Por conseguinte eu tenho que agradecer a minha avó por ter colocado a minha mãe no mundo, ou nada estaria desse jeito. E também por ser a pessoa com que eu sempre me identifiquei mais na família mesmo ela achando que eu escrevo bem mas sou depressivo e preciso de ajuda psicológica. Obrigado também por não deixar eu ir numa balada chamada "Vampyre" quando eu tinha 15 anos, e por ser a única pessoa que consegue fazer carne vermelinha e macia do jeito que eu gosto, e por ter me emprestado seu Tarot e nunca tê-lo pedido de volta. E obrigado por trabalhar com promotoras gatas e futuramente me arranjar um emprego em que eu também possa trabalhar com promotoras e xavecá-las.
Eu também tenho que agradecer o meu avô por ter sido rígido na criação da minha mãe e dos meus tios, quem vê o bobalhão que ele é hoje até acha estranho eu dizer uma coisa dessas, agradeço a ele por pensar que qualquer provação psicológica que a minha mãe possa fazer pesar sobre a minha pessoa hoje em dia – principalmente depois de ler esse texto - ele fez pior com ela. Obrigado por ser teimoso e gostar mais da Amanda que de mim, e por ter me ensinado a ter opinião sobre tudo. E principalmente por ter me apresentado uma das minhas maiores paixões, o cinema, e a incentivado.
Eu acho que sempre deixei claro a importância desses personagens na formação do meu caráter, se hoje eu escrevo tanta baboseira é por que eles deram corda para a minha loucura quando eu ainda era só um maniácozinho.
Eu também tenho que agradecer ao meu pai. Se ele não tivesse me colocado tanto de castigo, e feito eu ficar abraçado com a Amanda durante duas horas amarrado no meu quarto, hoje eu não poderia sacanear tanto o Matheus por ser mimado. Aliás, obrigado também por ter me apresentado a copaíba que me acompanhará até os Estados Unidos a patentear e o preço ficar absurdo, por me apresentar o mel com própolis, e quase todos os outros remédios que eu tomo, me tornando um semi-hipocondríaco maniáco. E por cuidar de mim quando eu tive pneumonia e quase morri, quando eu fiquei surdo e quase morri, e quando eu tive meu primeiro porre e quase morri.
Aliás, obrigado a Amanda por me fazer odiar Guns ‘n Roses, por ter criticado a igreja e virar crente - me dando motivos para sacaneá-la para todo o resto da vida, por ter arrancado nacos do meu corpo com os dentes quando era criança, e por sempre me trazer uma lembrancinha dos aniversários que ia. E ao Matheus por não se tornar um serial-killer mirim frente a tantos mal-tratos dos irmãos mais velhos, por chorar e me deixar com vontade de espancá-lo, e depois sair gritando que vai ligar para a polícia, e por se esforçar pra ser um carinha inteligente e curtir as mesmas coisas que eu curto, embora tente ao mesmo tempo ser malandrops tipo a Amanda.
Ainda na família, obrigado ao meu padrinho Ricardo por me ensinar a fazer a barba e a jogar tênis, se ele não tivesse incentivado o esporte desde pequeno e me ensinado a não dilacerar meu rosto com a navalha, hoje eu poderia estar pesando 280kgs, com o rosto todo barbudo e dirigindo uma Harley-Davidson. Agradeço também pelos bons momentos em Alphaville, boa parte deles passado na frente de um vídeo-game, o que é o torna responsável também por eu ser um game-maniáco. Obrigado ao meu tio Wagner, porque sem ele eu não teria a quem apontar como comparativo quando me acusam de faltar nas festas de família, e por ser um modelo inspirador de publicitário jovem bem sucedido e por ter criado a franquia “Games For Us”, a qual todos meus outros tios adentraram e me fizeram um jovem muito feliz, que criança não ia gostar de ter três tios no ramo dos vídeo-games?
Obrigado também ao meu tio Luis por embrulhar os presentes de amigo secreto dele em 8 caixas diferentes, com todos os tipos de empecilhos e tornar o Natal mais divertido por isso. Obrigado a quem faz as maracutaias na hora de sortear o amigo secreto da família por ele nunca ter me pego de amigo secreto. Obrigado também a minha madrinha Nilú, por parecer a Ivete Sangalo (?) e por ser engraçada, e também por ter um filho lindo que eu agenciarei como modelo quando for mais velho e ficarei milionário – embora ainda não tenha divulgado esses planos ao resto da família.
Infelizmente eu não tenho tanto contato com a minha família paterna quanto gostaria de ter, mas obrigado a eles também por excelentes lembranças. Férias bacanas, um armário trancado cheio de doces e muita zoeira, afinal, são meus primos com idade mais próxima.
Agora partindo para os meus amigos, obrigado primeiro aos mais antigos, como a Carol que me ajudou muito quando eu era um pirralhinho adolescente chato e cheio de problemas, e ela era uma velhaca chata e cheia de problemas. E agora eu tenho mais ou menos a idade que ela tinha e me sinto um velhaco chato, mas com muito menos problemas. Obrigado a Mai, por desenhar bem e mandar as primeiras cartas que eu já recebi pelo correio, embora o e-mail já existisse faz tempo – e junto dele, o ICQ. Aliás, obrigado ao ICQ por ter existido. Obrigado ao Jr por deixar com que eu fosse o clerk oficial das merdas que ele fazia só para que eu pudesse ironizá-las depois.
Obrigado ao Vinnie por ser um cara bacana e atuar de graça nos meus curta-metragem que estão por vir. Obrigado a Anna por ser bacana e deixar o Vinny atuar de graça nos curta-metragem que estão por vir, e por ser uma carioca ixxpéarta, uma das poucas que eu realmente consigo conversar. Se o Rio desaparecer com o degelo das calotas polares eu permito que você venha morar em São Paulo.
Obrigado ao Murilo por ser preto e ladrão. E por ser o cara que eu sei que sempre vou poder contar com, mesmo ele estando ranzinza e de mal humor, e quem sabe ele case com a minha irmã – que é o desejo da minha mãe, e eu tenha sobrinhos pretinhos ladrões e game-maniacos. Agradeço ao Daniel pela careca e pela quadra de futebol na qual eu não canso de torcer meu joelho, mas se não fosse por ele eu provavelmente não faria nenhum tipo de esporte whatosever, então, congratz. Obrigado ao Jambo por ser o Jambo, sem ele nós provavelmente teríamos que zoar mais outra pessoa e perder a amizade dela. Obrigado ao Franck por ter se arriscado num curso que ele não fazia idéia do que era só porque eu insisti muito e me acompanhar resmungando que nem um desgraçado para à faculdade nos dias que eu vou – e por causa disso, me lembrar todo dia, que existe alguém mais chato do que eu. Obrigado a Andréa por ser uma boa serviçal cozinheira de pretzels e por ter uma mãe bacana que doa livros de filosofia e incentiva o intelecto de jovens geniais como eu.
Bom... acho que é só. Tem um monte de gente pra agradecer, mas já ta extenso pra caramba esse post e acho que ficou alegrinho até. Espero que me perdoem pelas brincadeiras.
Até a próxima.
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Haha... okay, é uma cilada Bino. Imagina, se eu não agradeço essas quatro pessoas é bem capaz de eu levar um tiro de sniper da janela. São as pessoas que mais lêem esse blog, e o outro também, então acho que merecem um agradecimento especial. Mas só por isso. Das mil visitas, provavelmente dois deles juntos são responsáveis por ao menos 50%.
Obrigado a Fê, por perder sempre no pôquer, no buraco, no Mortal Kombat e no War, por fazer fisioterapia e descobrir que eu sou um pombo (tudo bem, pelomenos eu não preciso fazer aula de maiô), por morar longe (10 minutos daqui) e pegar busão pra vir nos ver mesmo sendo estuprada todo dia no caminho e me deixar preocupado porque não manda sms dizendo que chegou viva em casa e também por levar a sério as minhas brincadeiras quando ninguém mais me leva a sério. Obrigado também por sempre nos incentivar a ir na Offner engordar 30kgs por noite e por ser a única que costuma me dar oi no msn sempre, e sempre ubber espontânea por mais que eu te maltrate sem dó nem piedade.
Obrigado a Liene por ser preta e ainda assim nos ceder sua casa para bebedeiras, jogos e pornografia (okay, a ultima parte é mentira), por me acompanhar nas empreitadas no cinema mesmo nos filmes mais horríveis que eu já vi na minha vida (O Sacrifício e as Torres Gêmeas são bons exemplos) e por ser minha companheira de fofocas, principalmente quando é pra falar mal das outras pessoas pelas costas, por visitar meu blog, por ter um blog que eu possa visitar e que foi incentivo para que eu voltasse como o meu, e por perder sempre no pôquer, no buraco, no War, no Rumble Roses e no Mortal Kombat.
Obrigado a Francine por usar roupas de gente idosa, shorts e faixas de velha e reclamar de tudo sem parar. Por ser gorda, burra e azarada. E também por ser uma “gactinha ;P” que vive me dando fora quando eu a xaveco, e por não falar nada quando nós a zoamos – ou seja, sempre. Aliás, obrigado por não falar nada nunca, nem no msn. E obrigado por falar tudo, inclusive no msn, e confiar em mim quando outras pessoas pensariam duas vezes dada a minha natureza sádica, e obrigado por ter me dado o primeiro pedaço do seu bolo de aniversário. Obrigado também por perder sempre no pôquer, no buraco, no War, no Rumble Roses, no Mortal Kombat, no jogo de Damas e no Campo Minado (:X).
Obrigado ao Fernando por apoiar meus blogs e divulga-los no seu msn, por ser meu parceiro oficial de buraco e ganhar sempre todas comigo, por ser meu motorista particular no nosso carro e nunca cobrar a gasolina ou o estacionamento. Obrigado por dividir 90% das contas comigo, por ter me deixado esquecer a máquina da minha mãe no seu carro e ser atormentado por isso o resto da minha vida, e por gostar de mulher, algo raro no nosso grupo social, permitindo que eu faça comentários cretinos a respeito do sexo feminino quando as outras pessoas brigariam comigo.
E esse é, definitivamente, o maior post que esse blog já teve. E sem negritos ou correções gramaticais, porque nem por muito dinheiro eu o leio inteiro de novo. E eu ainda tenho otorrinolaringologista daqui a pouco. :/
