sexta-feira, outubro 19, 2007

Mostra Internacional de Cinema SP

Como eu faço todo ano, segue a minha seleção de filmes mais "pops" e bacanas do festival, com seus respectivos horários, diretores e atores principais. Os com asterisco são os que eu pretendo ir, embora eu quisesse ir em todos x.x... Provavelmente vou em quatro ou cinco no máximo, sux.
- Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto (Sidney Lumet), com Seymour Hoffman, Ethan Hawke, Albert Finney e Marisa Tomei
19/10, 16h - Cinemateca, Sala Petrobrás
20/10, 19h50 - Unibanco Arteplex 3
30/10, 20h40 - Espaço Unibanco de Cinema 3

- À Prova de Morte (Tarantino), com Kurt Russe, Rosário Dawson
21/10, 22h40 - Cine Sesc
25/10, 13h30 - Espaço Unibanco de Cinema 3
26/10, 00h00 - Cine Bombril Sala 1

- A Maldição da Flor Dourada (Zhang Yimou), com Chow Yun Fat e Gong Li
30/10, 19:00 - Cinemark Shoping Eldorado*

- Cada Um Com Seu Cinema (Kiarostami, Iñarritu, Cronenberg, Dardenne, Egoyan, Gitai, Walter Salles, etc)
19/10, 23h50 - Unibanco Artplex 2
22/10, 16h10 - Ig Cine
23/10, 22h00 - Reserva Cultural Sala 1

- Canções de Amor (Cristophe Honoré)
27/10 22h50 - Cine Bombril
28/10 20h30 - Memorial da América Latina
30/10 21h50 - Cinemateca Sala Petrobrás
01/11 18h50 - Cinemateca Sala BNDES

- Entrevista (Steve Buscemi), com Steve Buscemi e Sienna Miller
21/10 21h00 - CineSesc
23/10 21h10 - Cine Tam*

- Império dos Sonhos (David Lynch), com Laura Dern
19/10 22h50 - IG Cine
21/10 12:00 - Cine Bombril Sala 1
22/10 20:10 - Unibanco ARtplex 1

- Im Not There (Todd Haynes), com Christian Bale, Cate Blanchett, Charlotte Gainsbourg, Julianne Moore, Richard Gere, Heath Ledger, etc
21/10 21h40 - Cinemateca Sala BNDES
22/10 19h00 - Reserva Cultural Sala 1
28/10 15h00 - CineSesc

- No Vale das Sombras (Paul Haggis), com Charlize Theron, Susan Sarandon, James Franco e Tommy Lee Jones
23/10 19h00 - Cinemark Shopping Eldorado*
24/10 21h20 - Ig Cine
25/10 13h30 - CineSesc

- Medo da Verdade (Ben Affleck), com Casey Affleck, Michelle Monaghan, Morgan Freeman, Ed Harris, etc
25/10 18h40 - Espaço Unibanco de Cinema 3
30/10 21h30 - Cinemark Shopping Eldorado*
31/10 22h40 - Unibanco Arteplex 1

- Amor nos Tempos de Cólera (Mike Newell), Javier Bardem, John Leguizamo, Liev Schreiber, Fernanda Montenegro
25/10 16h50 - Cinemateca Sala BNDES
26/10 21h30 - Cinemark Shopping Eldorado*
30/10 20h10 - Unibanco Arteplex 1

- O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford (Andrew Dominik), com Brad Pitt, Casey Affleck, Sam Rockwell e Sam Sheppard
20/10 21h30 - Cinemark Shopping Eldorado*
24/10 17h30 - Reserva Cultural Sala 1
28/10 17h30 - IG Cine

- O Clube de Leitura de Jane Austen (Robin Swicord), com Maria Bello, Emily Blunt, Kathy Baker.
21/10 20h20 - Unibanco Arteplex 1
22/10 18h50 - Unibanco Arteplex 2
24/10 13h30 - CineSesc

- O Preço da Coragem (Michael Winterbottom ), com Dan Futterman e Angelina Jolie
21/10 19h00 - Cinemark Shopping Eldorado
25/10 19h00 - Cine TAM*
27/10 16h10 - Reserva Cultural Sala'1

- Onde os Fracos Não Tem Vez (Joel e Ethan Cohen), com Tommy Lee Jones, Javier Bardem, Josh Brolin, Woody Harrelson, etc
01/11 21h00 - Memorial da América Latina

- Paranoid Park (Gus Van Sant)
26/10 22h40 - Reserva Cultural Sala 1
27/10 23h20 - Unibanco Arteplex 1
30/10 17h10 - Espaço Unibanco de Cinema 3

- Planeta Terror (Robert Rodriguez), com Bruce Willis, Michael Biehn, Josh Brolin, Rose McGowan, Naveen Andrews e Quentin Tarantino
19/10 21h30 - Cinemark Shopping Eldorado*
26/10 22h00 - Cine Bombril Sala 1
30/10 13h00 - Unibanco Arteplex 1

- Redacted (Brian de Palma)
29/10 21h20 - Cine Tam*
30/10 18h10 - Cinemateca Sala BNDES
31/10 13h30 - CineSesc

- Senhores do Crime (David Cronenberg), com Viggo Mortensen, Naomi Watts e Vincent Cassel
27/10 22h00 - HSBC Belas Artes
28/10 17h20 - Cine Bombril Sala 1
31/10 19h20 - CineSesc

- Sombras de Goya (Milos Forman), com Javier Bardem, Natalie Portman e Stellan Skarsgard
19/10 19h00 - Cinemark Shopping Eldorado*
21/10 18h20 - Ig Cine
23/10 13h00 - Unibanco Arteplex

- Sonhando Acordado (Michel Gondry), com Gael Garcia Bernal, Charlotte Gainsbourgh, etc
19/10 19h00 - Cine Bombril Sala 1
20/10 19h00 - Cinemateca Sala Petrobrás
21/10 13h30 - CineSesc

- Um Amor Jovem (Ethan Hawke)
19/10 22h20 - Espaço Unibanco de Cinema 3
20/10 22h10 - HSBC Belas Artes 2
22/10 13h00 - Reserva Cultural Sala 1
2710 18h00 - Centro Cultural São Paulo

- Um Jogo de Vida ou Morte (Kenneth Branagh), com Jude Law e Michael Caine
23/10 17h10 - Unibanco Arteplex 2
27/10 23h40 - Unibanco Arteplex 4
28/10 22h20 - Cine Bombril Sala 2

- Viajem a Darjeeling (Wes Anderson), com Owen Wilson, Adrien Brody, Jason Schwartzman, Anjelica Huston e Bill Murray
23/10 19h00 - IG Cine
25/10 16h50 - Unibanco Arteplex 1
28/10 21h30 - Chinemark Shopping Eldorado*

quarta-feira, outubro 17, 2007

Será que vai chover?

Falar sobre o clima é, normalmente, coisa de quem não tem assunto melhor. Porém, seria estranho não comentar os momentos de loucura climática que São Paulo vive nas últimas semanas. Primeiro, faz-se um calor desgramado. O ar fica seco, e consequentemente seus olhos ficam secos, e seus lábios ficam secos, e você tem dificuldade para respirar. As coisas ficam abafadas, e é tão mais difícil de se fazer as coisas. O calor é foda.

Então, do nada, faz uma friaca do diabo. Tudo gelado. Claro que a secura não passa, você só fica com bem mais frio do que antes, à beira de um choque térmico. Então o cara que manda lá em cima decide que você tem direito a uma garoinha gelada e um vento frio. No final, qualquer coisa que não seja indiferença tá valendo. As coisas ameaçam melhorar. A temperatura, pelo menos, estabiliza. E com a garoinha a umidade no ar aumenta um pouco e você já consegue respirar. Fica até bom por um tempinho.

Daí o cara fala “Hah, vou te sacanear”. O calor começa a aumentar, aumentar, aumentar... e ai você não quer sair de baixo do ar condicionado pra mais nada. Então, chove. Não é uma chuvarada, mas também não é uma garoa, é uma chuva diferente, espessa, consistente, firme. Você consegue sentir a pressão das gotas tocando a pele do seu rosto, e consegue observar a dificuldade com que elas se desprendem do ar ao se chocar com o vidro dos carros, quase em câmera lenta, quase uma por vez. É uma chuva que, praticamente, não molha. Não interfere em nada, a não ser na umidade do ar.

No dia seguinte, faz frio. E, lógico, se seu sistema imunológico for forte e batalhador como o meu você vai ficar gripado.

E quando você chora, o mundo chora com você.

sexta-feira, outubro 05, 2007

Porque eu odeio todos os dias da semana?

Eu não consigo entender o porque das pessoas comemorarem tanto a proximidade do fim de semana. Na real... Qual a diferença entre sexta-feira e terça? Porque a quinta é melhor que segunda? Tudo bem, eu consigo aceitar que talvez sábado e domingo sejam dias menos odiosos do que todos os outros, mas mesmo assim!

Eu odeio todos os dias da semana, sem exceção, e talvez isso aconteça porque eu sou um cara ansioso, rabugento e mal humorado, mas mesmo assim, vou justificar. Saca só:

Terça-Feira – é o terceiro dia da semana, por isso chama “terça”, e não o segundo, como a maioria das pessoas gostam de acreditar e nada irrita mais do que alguém te dar tapinhas nas costas e dizer “relaxa, a semana só está começando!”. É um péssimo dia porque fica entre a segunda e a quarta, que são os piores dias da semana claramente. Então quando você chega na terça feira, tem todo o mal humor acumulado da segunda e todo o estresse de ter que lidar com todos os problemas da quarta. Além de ser o segundo pior dia de trânsito em São Paulo.

Quarta-Feira – também conhecido como o dia dos problemas, é na quarta feira que as pessoas obrigam você a ser infeliz até o último minuto das 24 horas do dia. A maioria das horas extras são feitas nas quartas feiras, e os professores da faculdade sempre parecem querer postergar o máximo possível as aulas enfadonhas para não voltarem à suas vidas tediosas antes do tempo estritamente necessário para que eles acumulem sono suficiente para dormir.

Quinta-Feira – nas quintas feiras, normalmente, você já está tão cansado que vai chegar atrasado no trabalho e levar bronca. É provavelmente o dia em que se está mais exausto na semana, o dia que se está mais de saco-cheio de tudo e rezando pra que chegue logo o fim de semana pra que você possa fazer qualquer outra coisa enfadonha. É o dia das cobranças chatas.

Sexta-Feira – é um dia tão bom, tão bom, que é terrível. Você passa o dia inteiro tão ansioso pra que ele acabe logo que fica de saco cheio em 30 minutos e não quer produzir mais nada, só ficar moscando e esperando o tempo passar. Então você lembra que tem faculdade, e de duas uma – ou fica puto, ou falta, e fica puto quando chega a sua DP no fim do semestre. As melhores horas da sexta-feira são do sábado, que é quando acabam seus afazeres diários e você pode tomar uma cervejinha... mas aí já é meia noite e todo mundo sabe que meia-noite é outro dia.

Sábado – o último dia da semana nunca é como você imaginou que seja. Torce tanto pra chegar logo sábado e esquece que é nesse dia que você tem que fazer tudo o que não teve tempo de fazer ao longo da semana: tomar banho, ir no barbeiro/cabelereiro, fazer as compras da semana, ir ao curso de inglês ou whatever, e o dia acaba sendo mais movimentado do que todos os outros dias da semana, você chega exausto e tudo o que você quer é dormir – mas não, é sábado, então você sai de casa forçado, enche a cara e então...

Domingo – Ressaca! Domingo é o dia da ressaca. Sua cabeça dói tanto que você preferia não ter nem acordado. Pior, você acordou às 3 horas da tarde! Ou seja, já perdeu 15 horas do seu dia de 24. Mais da metade! Mas é domingo, você tem o dia livre... certo? Errado. Sua mãe vai querer que você almoce com ela, provavelmente vai ter alguma festinha de família, comemoração de feriado, reunião de amigos ou qualquer coisa que impeça você de perder todo o seu tempo com você mesmo. Além disso, você vai passar o dia inteiro torcendo para que ele não acabe, porque o dia seguinte é segunda-feira. E tchanan, ele vai passar infinitamente mais rápido por isso, vai acabar, e vai ser segunda feira antes que você perceba... pior, vão ser 2hs da manhã de segunda feira sem que você perceba, o que te rouba 2 horas de sono e resulta em:

Segunda-Feira: sono, mau humor e uma vontade terrível de morrer. São os sintomas da segunda. Acompanhado sempre por um sentimento de que “puta que pariu, vai começar tudo de novo!”, e você já sofre pela semana inteira que está por vir com antecedência, o que faz do resto dela uma porcaria por igual.

Vai entender.



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Mais de um mês sem atualizar... cacilds. Não tenho tido tempo ou inspiração para atualizar isso aqui do trampo. Mas enfim, bola pra frente.

segunda-feira, agosto 20, 2007

A Subversão do Paradigma Socio-Referencial

Eu prometi a mim mesmo que não voltaria a escrever esse tipo de texto. É chato e a maioria das pessoas não gosta de ler, mas depois de ler o texto de uma amiga (clicar em Flines ali embaixo), me senti ligeiramente mal por ter abandonado um tipo de manifestação que sempre aprovei, uma crítica social que embora intelectualizada – e acredite, existe um combate ao que é intelectual na maioria dos grupos sociais hoje em dia – e sem o linguajar poético e gostoso de se ler, como o texto supracitado, precisa ser feita.

Embora a grande maioria das pessoas não tenha uma consciência comum de sua situação, é fato que toda sociedade vive contida dentro de um conjunto de regras que ditam seu comportamento e sua realidade. Um conjunto de normas, tradições e referências que foram inclusas no seu subconsciente pela sua interação social e educação. Existe uma “consciência coletiva” que cuida que todos os membros de um mesmo povo ou tribo, desde os primórdios, comportem-se de maneira semelhante, respeitem-se e consigam sobreviver em conjunto. Essa consciência engloba uma série de coisas, seja a Ética, seja a Moral, ou mesmo a Cultura, e uma especificação desse consciente é o que os filósofos chamam de Paradigma – um padrão de modelos a serem seguidos.

Infelizmente vivemos um momento em nossa história em que existe uma triste subversão do que eu vou chamar de “paradigma socio-referencial”, embora não seja esse o nome correto, pensei em chamar simplesmente de paradigma “social”, porém, social abrange muito mais coisas do que eu estou disposto a falar nesse pequeno texto. Fato é, perdemos nossos modelos de referência. Fica claro, hoje, que existe uma confusão mundial que nos rouba uma série de coisas, sejam elas uma identidade social, ou uma identidade pessoal, seja um paradigma de valores sóbrios ou então, os modelos de referência. Era claro que um dos sacrifícios da globalização para os países menos desenvolvidos seria um sacrifício parcial da sua “consciência coletiva” para as influências de outras “culturas” mais poderosas – tudo isso para se formar uma “aldeia global”. Não acho de todo ruim, não sou regionalista ou bairrista (ou sou, mas escondo bem).

Porém, a mistura de valores acentuada por uma degradação moral, e não me refiro à degradação com julgo de valores – mesmo porque, participo e até apoio boa parte dela -, mas é fato que existe uma diminuição de boa parte das “morais” que antes eram fortes, ainda mais num país colonialista e paternalista como o Brasil, fazendo com que a formação dos ícones referenciais modernos seja um retrato dessa nova situação, que ao serem expostos à sociedade tornam-se exemplos não tão sadios de comportamento.

Indo além, subverte-se o que antes parecia correto em prol de uma abordagem moderna só pelo prazer de se ser moderno, e não pelo que aquilo trás de realmente benéfico. E então, posturas que um dia foram corretas tornam-se feias, erradas e passíveis de julgo ou desprezo. Ai, em exemplos mais claros, dizer “eu te amo” é brega ou banal, dar “bom dia” é agressivo e estranho, acreditar que é seguro sair na rua é tolo, falar de política é chato, ser intelectual é patético, acreditar que as pessoas podem ser boas é ingênuo, falar a verdade é raro, ser sincero é proibido e ser honesto é crime. Não usar drogas é careta, reclamar quando alguém fuma em local proibido é ser pentelho, mandar flores é cafona, e posso continuar pra sempre.

E ao criticar esse novo sistema, embora outros poucos assertivos batam palma e uma minoria intelectualizada concorde, você é rechassado pela grande maioria da sociedade, que tem como referência o ator americano que pega a mulher pelo cabelo, o político brasileiro corrupto, o músico britânico viciado em heroína, o jogador de futebol polígamo, e uma dúzia de outros referenciais que vão contra uma série de antigos paradigmas e estão acabando por criar outros em que aquele que faz a coisa do jeito “correto” é passível de punição. E então, entra em vigor um outro movimento social chamado “A Espiral do Silêncio”, em que, pouco a pouco, aqueles que ainda fazem as coisas de um jeito diferente acabam se calando, para poupar o ostracismo social.

Enfim... apenas uma discussão que considero válida.

quinta-feira, agosto 16, 2007

A medida de um ano.

“But somehow I got caught up between
Between my pride and my promise
Between my lies and how the truth gets in the way”

- Linkin’ Park, In Between.


Qual é a medida de um ano?

A resposta mais óbvia para essa pergunta é “365 dias”. Esquece-se então, que não são realmente 365 dias, mas 365,2 dias... “vígula dois”. Menos preciso do que se espera... Alguém mais cético pode ir além, são 52 semanas “vírgula um”, ou 8.765 “vírgula oito” horas, e também 525.948, 7 minutos e, finalmente um número preciso, 31.556.926 segundos.

Mas eu duvido que quando se passou um ano da sua vida você realmente olha para trás e diz “Hm, lá se foram 12 meses de existência”, ou qualquer medida temporal que seja. Existem várias medidas de um ano, e nenhuma delas tem a ver com o tempo que se leva para percorrê-lo, mesmo porque, o tempo por si próprio é algo subjetivo – algumas pessoas começam a contar seus anos bem antes ou depois do dia primeiro de janeiro, seja por conta de uma religião, uma data pessoa significativa ou marcante, e por ai vai. Isso quando algumas pessoas não sentem que o tempo demora mais ou menos para passar.

Você pode medir seu ano pela sua renda, como os americanos, povo estranho, costuma fazer. Se você ganha 40 mil por ano, ou 50 mil por ano, ou consegue cobrir ou não a hipoteca da sua casa com o seu salário semanal. Os pessimistas contam seus anos pelo número problemas do seu ano, três ofertas de emprego perdidas, um corte de cabelo mal feito e duas ex-namoradas grávidas. Os otimistas contam do jeito contrário, uma quina na loteria, cinco visitas inesperadas de amigos desaparecidos e um beijo roubado.

Algumas pessoas contam seu ano pelo número de mortes de amigos e parentes, outras, pelo número de nascimentos. Os românticos podem contar o seu número de corações partidos e poemas rasgados, os garanhões, o número de corações que partiram e telefones que conseguiram. Se você é azarado, pode contar o número de acidentes, se você tem problemas mentais, pode contar pelo número de vezes que adoeceu. A temporada da sua série favorita, ou quantas séries conseguiu acompanhar, quantos filmes assistiu ou quantas peças de teatro visitou. Até ópera, pra alguns, vale de referência.

Rockeiros e moderninhos podem contar pelo número de shows que foram, os “fãs” de música eletrônica, pelo número de raves, e os góticos, pelas noitadas no cemitério, vai saber. Se você é um bandido, talvez conte pelo número de roubos que você conseguiu executar, ou então, pelo número de vezes que foi preso.

A medida de um ano é diferente para cada pessoa, eu, por exemplo, gosto da medida do Rei – “se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi”. É uma medida bacana.

Qual a sua medida de um ano? A minha é segredo. ;P
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Sutilmente inspirado pelo filme-musical Rent.

segunda-feira, julho 30, 2007

Ingmar Bergman e seus morangos silvestres

“Bergman é talvez o único gênio do cinema vivo hoje.” – Woody Allen, o meu gênio do cinema predileto.

“Eu acredito que Bergman, Di Sicca e Fellini são os únicos três cineastas no mundo que não são só oportunistas artísticos. Com isso, eu quero dizer que eles não apenas sentam e esperam uma boa história surgir e então a filmam. Eles possuem um ponto de vista que é expresso várias e várias vezes em seus filmes, e eles próprios escrevem ou tem um material original escrito para eles.” – Stanley Kubrick, o gênio “modesto” do cinema.

“Cinema não é um trabalho de equipe. O diretor está só diante de uma página em branco. Para Bergman, estar só é se fazer perguntas; filmar é encontrar as respostas.” – Jean Luc Godard, o gênio do cinema que Bergman considerava vazio e tedioso.

Acho válida a menção e um luto comedido em respeito à morte do diretor de cinema Ingmar Bergman. Não tenho a pretensão de fazer um post competente a respeito do homem por simples e mera incapacidade intelectual. Mas como cinéfilo, me reservo ao direito de fazer uma dissertação breve sobre a forma como enxergo a sua obra e um pouco de sua vida.

Ingmar Bergman é talvez um dos últimos filósofos do cinema a falecerem. Seus filmes sempre lidaram com as questões mais profundas dos seres humanos – questionando com uma abordagem muitas vezes sofrida e melancólica as grandes questões universais, tristeza essa que acabou se mesclando com a percepção do público sobre a Suécia, seu país de origem e local da maioria de suas filmagens. Bergman, dizia de forma irônica e evasiva, que buscava contar em seus filmes a verdade sobre a condição humana, a verdade como ele via.

Bergman lidava bem com seus atores – eram amigos, produziam juntos todo tempo, e o diretor permitia que se improvisassem quando necessário. Diz-se que no fim de sua carreira ele parou de escrever diálogos – apenas o conceito da discussão era suficiente, e então deixava que os atores desenvolvessem. Foi um dos últimos cineastas autorais de verdade, cinema autoral, esse, que vem definhando cada vez mais nos últimos anos. Amigo íntimo de Fellini, admirador de Kurosawa e Truffaut, crítico de Orson Welles, Godard e Buñuel, até o fim de seus dias, Ingmar Bergman foi ligado ao cinema e ao teatro, elogiando o trabalho de diretores como Spielberg, Scorsese e Soderbergh.

No fim de sua carreira, chegou a dizer que gostava de dois ou três filmes que fez, mas que não conseguia assistir aos outros por considerá-los depressivos. Foi talvez o primeiro cineasta a relacionar diretamente música e cinema. Para ele, música era a sua maior inspiração, e ele acreditava que o cinema era a forma de arte mais similar à mesma – ambas lidavam com a emoção e ritmo, e não com o intelecto.

Constam em seu currículo filmes como Fanny e Alexandre, O Sétimo Selo, Morangos Silvestres, O Silêncio e O Ovo da Serpente, três ou mais “Oscar” de filmes estrangeiros, uma dezena de outros filmes e prêmios, cinco esposas, nove filhos e uma legião de fãs.

Minha frase favorita, atribuída a Bergman, é:

“Eu jogo uma lança no escuro. Isso é intuição. Então eu devo mandar um exército para dentro da escuridão buscá-la. Isso é intelecto.”

Fica a modesta menção.

quinta-feira, julho 26, 2007

Toujours, tout doux, tout doucement.

Eu não tenho pressa. Quem tem pressa é o tempo, e quem pode dizer abertamente que simpatiza com ele? Eu não. Eu tenho meu próprio ritmo, de música lenta e dançante, daquelas que a maioria dos garotos e garotas hoje em dia jamais dançou, coladinho com a menina que gostava no colégio, tímido e ansioso, sem saber direito o que fazer com as mãos e qual a distância segura dos corpos. Nada parecido com a batida agressiva, que embala os sonhos desses “jovens nervosos” e agitados.

Minha balada pessoal é observativa, inspira-se nos detalhes e pode às vezes se perder nessas pequenas coisas e esquecer um pouco dos pés. Diz-se por ai que os pés são essenciais. Não entendo muito bem de pés. Às vezes, parecem levitar lentamente ou, pesados, grudarem no chão de forma abrupta. O importante é lembrar que não se pode pisar nos pés de quem dança com você, mas quando acidentalmente o faz, pedir desculpas e continuar a dançar. A música é lenta, mas não para.

Eu me divirto alimentando a antecipação com uma ansiosidade de roer o estômago e arrepiar todo o corpo com fluxos crescentes de adrenalina. Quem tem pressa não aprecia a espera e perde boa parte do gosto da realização. Pode parecer estranho, vindo do garoto que fala, ri e briga de mais, mas isso não tem nada a ver com pressa. Apenas com aproveitar o momento – degustá-lo e extrair o máximo que puder, estende-lo ao limite.

“Sempre, tudo lento, tudo lentamente”, como na música em francês da moça talentosa de nome bonito.

Não me arrependo de passear calmamente, carregando o peso das minhas preocupações, mas lidando com uma por vez. E nem me arrependo do tempo que perdi com coisas que podem parecer menos importantes do que realmente são, mas que são minhas. Minhas memórias, minha experiência, e todos os momentos que ri, e fiz rir, chorei e fiz chorar.

Também não me arrependo pelo tempo que não gastei fazendo as coisas que outros fariam ou gostariam que eu fizesse. E não irei me arrepender dos momentos que ainda estão por vir.

A vida não é curta de mais, ela é “todo o tempo que precisamos”. Nada de mais, nada de menos. Não tenho pressa para chegar aonde eu quero.

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Overfluxo inspirado por:
“Tout Doucement”, de Leslie Feist.