quarta-feira, janeiro 06, 2010

What a Difference a Day Made





Ela teve um dia cheio.


Acordou cedo para ir tomar sol, o dia estava bonito e ela não gostava de pensar que não aproveitava essas oportunidades de todas as formas que podia. Ao meio dia, vestiu-se e almoçou sozinha em um restaurante vegetariano próximo de casa – soja e verduras, precisava cuidar da alimentação, não queria engordar.

As duas foi direto para o cabelereiro. Sexta era dia de transformar-se em princesa, unhas, depilação, mãos, cabelo, um penteado novo, um corte diferente. À noite, havia combinado um cinema com as amigas embora estivesse com preguiça. Foi, mesmo assim, sabendo que elas não perdoariam uma ausência injustificada. Jantaram na cantina italiana do pai da amiga morena, enquanto comentavam sobre como o relacionamento da amiga loira havia progredido bem – ninguém esperava. Uma taça de vinho, duas, o cinema acabou ficando para outro dia quando o relógio tocou meia noite.

Chegou em casa quase a uma, depois de dirigir devagar e com cuidado para não ser parada por nenhuma blitz. A secretária eletrônica piscava: 1 mensagem recebida. Foi até a cozinha, serviu um novo copo de vinho enquanto assistia o Programa do Jô. Uma hora depois, decidiu apertar o botãozinho que piscava insistente.

“Pequena,

Tenho certeza que seu dia foi corrido, como o meu também. Tentei te ligar algumas vezes, mas você não devia estar em casa. Acho que você esqueceu do nosso encontro, mas tudo bem. Só queria que você soubesse...
Hoje, o meu dia foi seu.

Lembrei-me de você ao despertar, com o cheiro dos seus cabelos lavados no meu travesseiro. Meu café da manhã não foi o mesmo sem o seu sorriso branco e as risadas que damos quando sua boca fica suja de Nescau.

Aqui perto do trabalho choveu bem pouquinho, aquela chuva rápida de dia quente, que serve pra deixar um rastro de arco-íris no céu, e o céu azul tinha a cor dos seus olhos, e pensei em como seria bom passar a tarde toda com você. Pedi licença pra te ver e te esperei naquele bistrô perto do parque, onde nos conhecemos.

Confesso que fiquei decepcionado, não por você ter esquecido, mas pelas expectativas que eu havia criado. Mas não faz mal. Deixei na sua portaria o CD do John Mayer que você queria emprestado, e espero que ouça quando for dormir e pense um pouquinho em mim. Eu penso em você todo o tempo. Te amo.”

Ela baixou a cabeça e sorriu envergonhada, sozinha, enquanto deslizava os dedos pela franja, colocando-os para trás.

Foi então que percebeu – ela teve um dia vazio.

3 comentários:

dianaBruna disse...

Gostei muito do modo como vc escreve. Muito bom!
Pena que a minha internet a vapor não me deixe ver o vídeo (ou ouvir a música) enquanto eu leio.
Abraços!

Debs disse...

Nossa, eu gosto muito dos seus textos, apesar de nunca comentar, faz até um tempo que não entro aqui, e dessa vez resolvi comentar. [Antes tarde do que nunca, né? =p]

Achei bárbara a mensagem na secretária eletrônica. Reparar em pequenas coisas é algo sublime. Gostei bastante da personagem masculina.

Eeenfim, beijos!

Raiani Teichmann disse...

saudades!!!