quinta-feira, dezembro 14, 2006

Faz algum tempo que parei de escrever.

Faz algum tempo que parei de escrever.

Houve um período da minha vida em que tudo o que eu tinha eram as palavras. Boa parte da minha vida era virtual em muitos aspectos, meus amigos eram virtuais, minha diversão era virtual, meu hobbie era virtual, e eu perdia meu tempo com frivolidades virtuais que eu acreditava me completarem, e o único meio de acesso a elas eram palavras. Então eu escrevia. Foi uma época estranha, que hoje, ao pensar, me repele e me atrai com igual intensidade. Eu penso: "poxa vida, até que eu sabia escrever". Não gramaticalmente, minha gramática nunca foi impecável e eu muitas vezes subverto uma série de questões por conta própria buscando transmitir a mensagem da forma como gostaria que ela fosse feita pessoalmente.

O próprio nome deste blog é uma subversão. É uma tentativa de anagrama incluindo três palavras, fuck, luck e flux.

Voltando ao fato de que eu sabia escrever, eu realmente acreditava, naquela época, que eu possuía uma mensagem para passar. Um ideal. Por isso criei meu primeiro blog. Foi uma experiência bacana por algum tempo, mas quando virou uma forma de passar adiante minhas frustrações, como um diário virtual de um adolescente parcialmente infeliz com uma série de coisas, achei que perdia o sentido. O mais engraçado é que com esse tipo de texto, daqueles tão pessoais que doem na hora de escrever e que teoricamente não acrescenta nada na vida de ninguém, é que eu tinha o melhor retorno. É que as pessoas mais comentavam, espalhavam, e de uma forma, ligavam-se a eles. Foi com textos desse tipo que surgiram os primeiros convites para colunas virtuais.

Eu me perguntava: “mas porque diabos as pessoas querem me ouvir escrevendo sobre sentimentos, sobre problemas pessoais e infortúnios, ao invés de tentar adquirir algum tipo de conhecimento quando eu tento dividir”. Sim, eu era ingênuo. Mas hoje eu entendo. Sinto falta de escrever, algumas vezes. Sinto falta de construir textos que incitam o raciocínio e agridem o sentimento. Sinto alguma falta das minhas poesias, mas elas já significaram mais. Sinta falta das minhas críticas carregadas de ironia e cinismo como me é costumeiro, e que me faziam rir quando re-lia numa tarde tediosa.

Sinto falta principalmente de dizer o que eu sinto, de uma forma que poucas pessoas seriam capazes de entender, mas que ao fazer, sentiriam como se fossem especiais. E realmente são. Eu nunca fui uma pessoa fácil de se conviver, embora eu facilite muito pra muitas pessoas e me contenha na maior parte do tempo, acobertando com máscaras e um bocado de interpretação de papéis uma parte significativa da minha personalidade forte, mas se tem algo que eu nunca fiz pra alguém foi abrir o coração – de verdade. Não gosto de me sentir frágil. E as poucas vezes que rompi essa barreira foi através das palavras, e da escrita. E tem certos dias que me pego redigindo textos que ninguém vai ler só pra conseguir desabafar. Então, pensei comigo mesmo – se todo mundo está voltando com blogs e afins, porque eu também não posso?

Faz algum tempo que parei de escrever, e vai demorar um pouco pra pegar o ritmo de novo – é como uma dança lenta. Faz algum tempo que parei de escrever – até hoje.

9 comentários:

nicedreams disse...

Congratulations! :*

Andréa disse...

Aeee! Textos são mais divertidos que fotos =)
beijinhos

Arashi disse...

Todas as pessoas tem alguma coisa a adicionar na vida das outras.
Eu te conheci ontem,mas com certeza vai me adicionar alguma coisa ^^
Quer dizer,já está me adicionando! Palavras que nunca ouvi falar como "frivolidades".
Ah? E como te achei no Orkut? ;]
Eu procuro pessoas que me interessam o.~
Te achei no Orkut do Milo.
Just it.
Por que,não podia added? =/
Agora já foi =O
Espero que fique bem ^^

Beijos ;*

Marys disse...

Escrever é como andar de bicicleta, Gabe. A gente nunca esquece. Fico feliz por você ter voltado a esse mundo tããão "acolhedor".

Eu tô fora, truta.
Boa sorte ae. u.u

§Sweet Devilish§ disse...

Há quantos anos nós nos conhecemos? Por quanto tempo palavras era tudo o que tínhamos, para rir, chorar, brincar, viajar e sei lá o que. Sempre admirei a sua maneira de pensar, seu gênio difícil, sua maneira irônica, as vezes tão misteriosa, mas ao mesmo tempo me parecia tão óbvio o que tentava esconder... sei lá, acho que todos aqueles que usam máscaras e as palavras para colocar toda a explosão interna, acaba conseguindo ver um pouco além do que se quer mostrar, talvez... Intensidade sempre foi uma boa palavra para te descrever, sinto falta das palavras que trocavamos, das idéias e dos devaneios, quem sabe por aqui voltemos a nos "corresponder"? ^.~

Morgana disse...

Vai se ferrar ow!

Papillon o.o disse...

Putaquipariu, tu acha que vou ler essa bíblia? xD auhsiahs depois leio. Passei aqui pra deixar registrado que simmmm eu comentei! /evil

Mwhhaha! Amo-te, pudim. u.u

Rofellos disse...

Hum...
É, conclusões notáveis.

Veja vou por partes mas misturando tudo.
Em primeiro lugar gostaria de deixar claro que só vou expor minhas medíocres inflexões sobre seus pensamentos transcritos pois, primeiro, vc me pediu, segundo, da próxima vez que eu for a sua casa eu vou levar aquele seu relógio sem bateria.

É, acho que eu até poderia tentar instituir mais uma épica conversação onde provavelmente concluiriamos o que achamos óbvio como fazemos as vezes.
Mas o fato de fato é que o legal é falar da vida alheia.
Sente a inversão, no fim das contas todo mundo tem suas vidas muito bem resolvidas e pelo fato de agregarem a isso uma veracidade que não existe automaticamente concluem que devem "ajudar" a outras pessoas, que muitas vezes precisa sim, de um par de orelhas alheias a um lábio desprovido de senso de ridículo.

Por essas e outras que eu digo que o meu avó sempre teve razão em muitos, se não todos aqueles provérbios que ele trouxe do interior da Bahia.

"Ei, mininu, se aquiete!
Afinal tu foi feito com duas orelhas e não duas bocas, oxi!"

Bleh sei lá, desfoquei do seu post.
Dane-se, me valho dos primeiros artigos da constituição e da célebre frase do Ilmo. quase ex-ministro Márcio Thomas Bastos.
"A imprensa (eu, pois segundo Millor opinião pública é aquela que se publica), tem o direito de ser livre, não de ser correta".

Um abraço. Bom novo blog para vc.

^^

Flines disse...

Conhecimento não deixa de ser interessante e as pessoas não são simplesmente vidradas em saber da vida pessoal alheia, mas é que tem gente que intriga e interessa demais.
Eu não dou a mínima pro que a maioria por aí sente, mas por te conhecer e por talvez ter tão pouco acesso ao seu coraçãozinho, a vontade de conhecer essa parte é muito grande.

A propósito, abrir o coração, se escolhido bem o ouvinte, nunca torna frágil o que o faz. Alivia, ajuda e até fortalece.