sábado, dezembro 16, 2006

A vida é uma mesa de Texas Hold’em.

A vida é uma mesa de Texas Hold’em.

E pra quem desconhece o termo, Texas Hold’em é uma das diversas modalidades de pôquer. Ela é, talvez, a mais famosa em todo o mundo - menos nos paises sul-americanos, que praticam mais o “Five Cards Stud”. O Hold'em é muito simples, cada jogador é servido de duas cartas, e, conforme o jogo, outras cinco cartas comunitárias são viradas na mesa. No final, você precisa fazer algum tipo de jogo usando cinco cartas, sejam suas ou da mesa. Podem ser pares, trincas, quadras seqüências ou todas do mesmo nípe, as combinações em si não importam pra essa questão levantada. É a mecânica.

Como qualquer outro jogo de azar, o pôquer, é um jogo de sorte – e eu sei o quanto paradoxal é chamar um jogo de sorte de jogo de azar, mas a explicação pra isso é simples, como todo jogo só tem um vencedor, e uma grande quantidade de perdedores, tem mais azarados que ganhadores e portanto é um jogo de azar para a grande maioria, não muito diferente da nossa realidade que é repleta de perdedores e com um número restrito e invejável de sortudos premiados na loteria federal da vida bem sucedida.

Diferente da grande maioria dos jogos de azar, no entanto, o pôquer não é só isso. É necessário um grau de habilidade, um conhecimento leve de probabilidade e um bom julgo de caráter para conseguir ser bem sucedido num jogo como esse. Com sua habilidade, que é basicamente a arte de saber blefar bem, você é capaz de enganar a mesa e virar o jogo. Com domínio da arte das probabilidades, você consegue uma visão privilegiada do que acontece na mesa, sabe quando você possui alguma chance da sorte estar do seu lado, possibilitando assim que sejam feitas boas escolhas em suas chamadas, já tendo um bom julgo de caráter, você é capaz de distinguir pequenos maneios característicos de cada pessoa que irão lhe dizer mais ou menos como você deve fazer para jogar contra e com ela.

Como o paralelo entre a vida e a mesa de pôquer foi estipulado no começo, é inevitável um parênteses para comparação desses três aspectos fundamentais que fazem com que o pôquer seja o jogo mais semelhante à vida real em vigência atualmente. Sendo simples e conciso, uma pessoa que possui a habilidade de mentir bem normalmente é mais bem sucedida que a grande maioria dos trouxas honestos, vide políticos. Tendo conhecimento das probabilidades de sucesso das suas empreitadas, sejam elas sentimentais ou financeiras (ou quaisquer outras menores que existirem, porque pra mim só essas duas importam de verdade), fica muito mais simples de tomar as atitudes corretas e enfrentar as batalhas que você sabe ter alguma chance de vencer. Quanto ao julgo de caráter, bom... não sei se é necessário explicar – é suficientemente importante, em âmbito menor, saber pelo menos separar quem são seus amigos de quem são seus inimigos e isso já um julgo. Indo além, ter um conhecimento mesmo que superficial das pessoas com as quais você se relaciona torna muito mais fácil qualquer tipo de relacionamento. No meu caso, por exemplo, me conhecendo bem, você não vai querer me ligar as 8h da manhã pra me convidar pra jogar bola porque vai ser xingado até o fim da sua existência.

Até agora falei genericamente do pôquer, mais o Texas Hold’em tem algo de diferente do geral que o deixa ainda mais parecido com o nosso cotidiano. Cada um recebe duas cartas, e como na vida real, cada um tem um ou dois pequenos truques na manga, duas qualidades ou aptidões que são únicas e os tornam diferentes dos outros. Então, tem aquelas cinco cartas na mesa, cinco que servem pra qualquer um, são situações que a vida oferece em igual pra todo mundo disposto a correr atrás delas, pequenas oportunidades que vivem por ai, planando pelo ar esperando que alguém com aquelas duas cartas corretas consiga de alguma forma fazer jogo, combiná-las e formar o sucesso. Claro, podem existir vários jogadores que possuem as cartas certas, cartas que combinam, mas nem sempre são tão perfeitas quanto as do próximo, e por isso perdem. É ai que entram as regras lá de cima, um bom blefe, um bom julgo e uma boa noção de probabilidades facilitam na hora de combinar as suas aptidões com as oportunidades da vida pra formar uma realização bem sucedida, ou confrontar e superar as dificuldades que lhe são impostas.

E não é só isso. Talvez 80% do jogo sejam blefes, sorte e tudo mais. No entanto, existem esses 20% normalmente ignorados pela maioria. Esses 20% que se referem as apostas. Ter o domínio da forma certa de se apostar é uma das grandes artes da vida. Quem aposta alto tem lucros mais altos ainda, e perdas ainda maiores, mas quem aposta pouco corre o risco de seus ganhos não fazerem diferença nenhuma. Assim como na vida, é necessário ganhar o máximo possível quando tivermos uma mão boa, e fazer de tudo para perder o menos possível quando não tivermos nenhuma carta encaixando com as oportunidades que surgirem. Mas do que adianta ir all-in logo de cara quando se tem cartas ganhadoras se todos os outros vão fugir assustados? É ai que cabe a arte de apostar, de atrair aqueles que competem contra você e faze-los entrar no seu jogo pra que você possa tirar o máximo possível daquelas duas cartas que você pegou lá no começo, e que podem mudar a sua vida.

A vida é uma mesa de Texas Hold'em. E eu gosto de pensar que ando por ai com um par de ases entre os dedos.

--

PS: Sou só eu que produzo muito mais durante a madrugada? Podem notar no post anterior, e também nos próximos, que escrevo sempre no período entre 4-7 horas da manhã. I'm a weirdo.

5 comentários:

Kuro Neko disse...

Gabs seu newbie =þ
gabs q seu blog afunde q nem o outro >=)
nem sei pq to postando aki O.Ox

Flines disse...

Seria difícil produzir às duas da tarde, já que você está dormindo... u_u

Eu acho que ando por aí com um dois de paus e um sete de copas, não é possível!

Você esqueceu dos tiques. Todos têm um tique!

The Journeyman disse...

Acho que o tique entra na parte de julgo de caráter. Tipo Sherlock Holmes. o.o

nicedreams disse...

Eu só saio com reis na mão.

Afinal, sou o Reizinho dessa vida! :*

Rofellos disse...

É uma visão interessante.
Não jogo. Não me interesso, e invejo, de maneira não pejorativa aqueles que detêm o conhecimento sobre o jogo.
Aliás, pra não dizer que eu não jogo, eu jogo sim, na verdade já joguei. Devo confessar que não tinha nada a ver com este tipo de jogo, mas de certa forma a construção deste jogo me levou a constituir uma visão distinta da que se tem quando se fala que "as cartas estão na mesa". Quando se joga Magic, ou qualquer outro RPG em geral, que é o tipo de jogo ao qual me referia acima, logicamente que se tem situações completamente diferentes, e um nível de estratégia voltado a outros objetivos. Mas mesmo assim jogando eu fui aprendendo que não posso simplesmente depender da sorte. Sacar 7 cartas e esperar que nessas primeiras eu possa sair em vantagem com relação ao meu oponente é passivo de uma resposta probabilística não muito animadora, mas ainda sim mesmo que eu saque aquelas 7 cartas, meu adversário também poderia saca-las.
Pois bem, então o que me resta me colocando no lugar daqueles que não nasceram com as nádegas voltadas para o nosso ilustre satélite natural?
Montar o meu melhor deck, com as melhores opções, que me permita agir, responder e se preciso conter e suportar as adversidades propostas pelo jogo.
Traduzindo, acho que alguns já entenderam, mas por via de regra eu transponho.
Não passa pela minha cabeça que tudo pode mudar, ou não, dependendo exclusivamente de uma combinação.
Eu sei, eu sei, que o ilmo redator do blog deu ênfase às habilidades, mas essas habilidades não podem ser restritas, ao meu ponto de vista, às cartas que o baralho te dá, mas sim as cartas que vc escolhe para jogar.
Afinal, nas primeiras 7 cartas vc pode sacar, Channel, FireBall e uma Forest, se vc tiver conseguido-as para si, e tê-las escolhido para compor seu baralho.

;)
Quanto a produzir de madrugada, eu te invejo, gostaria de poder ficar acordado de madrugada tb.