sábado, julho 07, 2007

Sobre a Pirataria Virtual.

Eu não sou um cara que pratica ou apóia pirataria de qualquer tipo de produto. Quer dizer, eu até baixo músicas da internet, mas somente CDs que não chegam ou chegarão no Brasil ou músicas livres de copyright por sites devidamente credenciados, porém, eu não costumo criticar esse tipo de postura.

Eu compreendo que exista uma diferença enorme entre a pirataria no Brasil e a pirataria nos Estados Unidos. Indo por partes, vou falar da pirataria de filmes, pra começar. Um ingresso de cinema no Brasil custa 12 reais em um país que metade da população ganha menos de 400 por mês, logo, não é segredo nenhum que o posicionamento dos cinemas no Brasil é para um público A ou B, e não para a massa. O aluguel de um DVD, por uma diária, custa em torno de 10 reais. O posicionamento das locadoras também não é para a massa. O que sobra, então pros que curtem cinema e não tem dinheiro? Globo, Record ou comprar o dvd pirata por 4 reais no camelô.

Indo além, muitos filmes (quando não são mega-boga sucessos) demoram de 2 a 4 meses para serem lançados nos cinemas aqui e alguns sequer o são. Pior, alguns não saem nem em DVD, ou a maioria das locadoras não possuem no seu acervo (salvo pela já famosa 2001), o que novamente incentiva a pirataria no Brasil. Séries são outro problema enorme, algumas demoram anos pra passar aqui e só passam em canais pagos. Na parte de música a coisa também é mais ou menos parecida, os CDs demoram para chegar aqui e quando chegam tem preços abusivos, o que faz com que a pirataria aumente e respectivamente, aumentem o preço dos CDs, sacaneando as poucas pessoas que ainda compram música. Porém, música não é algo tão caro de se produzir quanto audiovisual, então eu vou deixar um pouco de lado essa questão.

O que me inspirou a escrever sobre esse tópico foi uma notícia que li, dizendo que o rapaz que pirateou os quatro primeiros episódios de 24 horas e lançou num site da web uma semana antes da estréia do programa se declarou culpado e pode pegar até 3 anos de prisão. Eu li a notícia e pensei “nossa, que idiota!”. Em seguida, pensei bem, e falei “ah, mas bem feito!”.

Cara... Tudo bem, aqui no Brasil nós temos uma divergência de classe sociais que faz com que a “cultura” seja basicamente distribuída para as classes A e B, e a massa não tenha acesso, obrigando de certa forma a pirataria a existir. Agora qual a justificativa de um escroto desses? Quer dizer... o cara mora nos Estados Unidos, a série vai estrear em uma semana e ele vai poder assistir quando quiser, assim como os caras que baixaram os arquivos da internet, e mais, sem pagar nada por isso. PRA QUÊ o cara precisa piratear? Ansiosidade? Ou pra falar que ele é fodão?

Não sou o defensor dos estúdios de televisão, mas na gringa é diferente daqui. A maioria das séries são produzidas por produtoras independentes, que investem uma fortuna para fazer séries bacanas e tentar vender para os canais de televisão, que por sua vez, só compram essas séries porque vão obter retorno através de publicidade. Daí vem um escroto desses, e lança, uma semana antes da série estrear, os quatro primeiros capítulos na net e a produtora, o estúdio ou a TV tem um prejuízo bizarro. E a mesma coisa vive acontecendo com cinema por lá. E também com música.

Tudo bem, foi algo “pequeno”. Afinal, o número de pessoas que baixam as séries, filmes é menor do que os que assistem na TV ou no cinema, porque lá eles tem grana pra ir no cinema e é algo que todo mundo pode e gosta de fazer. Mas essa é uma cultura que vem crescendo cada vez mais, e se atitudes não forem tomadas, de duas uma: ou as séries/filmes agora vão ser totalmente dominadas por merchandising de todos os produtos do planeta para suprir a falta de publicidade, ou os prejuízos de exibição, ou então vão diminuir a produção e a qualidade para baratear ou eliminar os custos.

Isso, fora a frustração dos criadores e dos caras que desenvolvem os projetos, já que suas expectativas são furadas por um babaca que libera seu trabalho antes do prazo correto.

Agora, um tempo atrás tentaram aprovar no congresso brasileiro uma lei que beneficiaria o audiovisual brasileiro, obrigando que por volta de 30% da programação de todos os canais fosse de produção nacional e independente, o que movimentaria de forma absurda o mercado de produtoras além de beneficiar roteiristas desconhecidos mas com boas idéias. Essa lei foi vetada pela Rede Globo. Quer dizer, um cara, um dos “diretores” da Globo esteve passeando por dentro do nosso parlamento e influenciando os votos dos responsáveis. O resultado, lógico, é que a lei foi colocada de lado.

Imagina então se ela entra em vigor aqui no Brasil, e começamos a produzir séries bacanas de verdade (sem ser essas porcarias de época), investir dinheiro nesse tipo de coisa, e então começam a piratear esse material? É batata que cessa o investimento. Se as gravadoras que não investem em um CD nem metade do que uma produtora investe pra fazer um filme/série estão todas quebradas e tomando prejú, imagina o que não ia acontecer do outro lado?

3 comentários:

Rodrigo disse...

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Julie disse...

Concordo contigo. Eu não baixo filmes porque aqui na minha cidade o cinema custa 6 reais, e alugar um dvd custa 2,50. Apesar de demorar séculos pra vir um filme pra cá, isso quando vem né. Mas tudo bem, eu espero. Seriados eu não baixo pq tenho tv a cabo e não tenho essa gana de ver ANTES. Só se meus horários não batem, se eu perco algum episódio ou coisas do tipo. Mas CD eu baixo mesmo, pq CD é caro demais, e encontrar um CD de uma banda gringa que não toca cinco vezes por dia nas radios é impossivel. Mas comprar CD pirata eu acho sacanagem, pq além de tu não estar valorizando o produto ainda tá dando dinheiro pra outras pessoas e alimentando cada vez mais a pirataria...

Flines disse...

Acho que se parassem com a palhaçada que são os impostos, pelo menos deixá-los com um preço razoável, já desestimularia em peso a pirataria.
Porque, realmente, o nosso problema não é um vagabundo que quis aparecer, mas sim infinitos carinhas de 25 e praça da Sé que ganham a vida desvalorizando trabalho alheio.

Não acho que aquela lei seria de grande ajuda. As salas de cinema já são obrigadas a ter não sei quantos por cento da programação nacional e isso não parece melhorar assustadoramente o cinema brasileiro, mas sim deixar em cartaz filmes da xuxa que já saíram e nunca deveriam ter entrado.

As campanhas contra pirataria, como aquela que diz que "você não roubaria uma bolsa, um celular, então por que roubaria um filme?" me parecem ser uma arma boa. Se aliassem isso à queda de preço e à ação da polícia sobre os criminosos, a pirataria poderia decair bastante, quem sabe sobrar só nos becos escuros e ser chamada de mercado negro. Hoje você quer um filme que não estreou ainda ou um rim?

Mas enquanto nada disso acontece, que tal dar uma olhadinha nessas camisetas personalizada? ;D
I thankful, bye friend.